terça-feira, 10 de março de 2009

Quem foi Roque Gameiro ?



Alfredo Roque Gameiro nasceu em Minde, concelho de Porto de Mós, a 4 de Abril de 1864 e faleceu em Lisboa, a 5 de Agosto de 1935.
Desde cedo se dedicou à litografia, tendo ficado conhecido como pintor aguarelista.
Enquanto viveu na Amadora, Roque Gameiro e a sua família participaram activamente na vida associativa e cultural da localidade.
Ao longo da sua vida, produziu inúmeros trabalhos para reprodução litográfica e dirigiu muitas edições.
A casa que Roque Gameiro mandou edificar para habitação da sua família na Amadora é actualmente propriedade da Edilidade, sendo um dos equipamentos culturais da Autarquia.

Matrecos na Casa Roque Gameiro


A montagem da exposição Matrecos & Afectos do projecto 12-15 da EIPDA, está a decorrer desde o princípio desta semana a bom ritmo.
Os alunos vão estar representados através da sua pintura, cerâmica, desenho e escultura.
Os ambientes criados em cada uma das salas tentam envolver todos os intervenientes do dia a dia deste projecto.
Só faltam três dias .
Sexta feira às 15 horas na Casa Museu Roque Gameiro na Amadora.

sábado, 7 de março de 2009

Na Evolução de Darwin , com o meu filho João Miguel




Por ocasião do bicentenário do nascimento de Darwin e 150 anos após o lançamento do seu livro «The origin of species», a Fundação Calouste Gulbenkian está a dinamizar uma série de eventos, desde conferências, encontros e uma exposição que contem elementos da exposição «Darwin» organizada pelo Museu de História Natural em Nova Iorque.

Descobrir Darwin e a construção do seu mecanismo de evolução, desde a recolha de dados a bordo do Beagle, aos seus estudos em Londres, o choque social perante a sua descoberta e o confronto entre as provas que reunira e as suas crenças, estão nesta exposição deslumbrante. A não perder por nada deste mundo. Sem desculpas.

segunda-feira, 2 de março de 2009

MATRECOS & AFECTOS


No próximo dia 13 de Março às 15 horas, os alunos do Projecto 12-15 da EIPDA inauguram na Casa Roque Gameiro na Amadora, a sua exposição denominada ” MATRECOS & AFECTOS”, com trabalhos de pintura, aguarela, desenho e cerâmica.

Aqui vos deixo o texto de apresentação .

A vivência que tenho tido ao trabalhar com os jovens do Projecto 12-15, levou-me a observar como são estes alunos na sua relação com o processo criativo.

A ingenuidade e a agressividade, posta ao serviço da pintura, levaram à obtenção de um discurso pictórico sentido e original, discurso esse que foi emergindo nas aulas, à medida que o ano lectivo avançava

Ocorreu-me, então, organizar uma exposição a que dei o nome de “Matrecos & Afectos” e que tão gentilmente a Casa Roque Gameiro acolheu.

A utilização do “e” comercial - & - pretende evocar este projecto que é sempre uma troca, um negócio, um comércio entre o Amor e o conhecimento que queremos transmitir, a par da conquista do entendimento por parte dos alunos.

O suporte dos trabalhos foi aproveitado de painéis que já não faziam falta a uma empresa de publicidade que tinha acabado uma acção de marketing e que acedeu ao meu pedido.

Dizia Picasso que “A pintura é uma grande mentira que serve para contar a verdade “ e são essas verdades que vos queremos agora oferecer.

A verdade e a realidade destes jovens que inicialmente destruíam os trabalhos uns dos outros assim que eu virava costas, tornando as aulas muito difíceis, e que agora me procuram dizendo que também querem participar…

Estes pedidos são sem dúvida o melhor dos prémios que podemos desejar.
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João Silva
Formador de Música e Pintura ,e tambem aprendiz .

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Um dia dificil no Projecto 12-15




Há momentos da nossa vida que por muito que o tempo passe nunca nos vamos esquecer.
Hoje dia do meu 56º aniversário fui dar aulas como se fosse um dia normal. No decorrer da aula batem à porta, pedindo-me para me deslocar à sala do lado para resolver um problema que se estava a tornar grave entre dois alunos.
Quando entrei na aula tinha á minha espera todos os meus alunos, os meus colegas e todo o staf da escola, o que me deixou completamente inerte sem capacidade para qualquer reacção.
Há coisas que não se conseguem descrever, que as palavras não chegam.
Ver toda aquela gente, ver sobretudo alunos com quem já me aborreci e até expulsei da aula, estarem alegremente presentes é algo que me ficara para sempre.
O dia de hoje foi um pote de emoções. Saber que toda aquela organização partiu deles, embora depois tivesse a orientação dos meus colegas sempre afáveis e construtivos é um momento que não tem preço.
Quando vejo um aluno agressivo, lembro-me sempre desta quadra de Agostinho da Silva.

Conheço certo fulano
Que é mau como lacrau
Mas talvez se eu for melhor
Ele se torne menos mau

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Encontro criativo. 1+1+1= PINTURA




Visitei hoje o atelier de pintura dos utentes da” Fundação AFID Diferença”, orientado pelo pintor Nuno Quaresma. O Nuno é um enorme ser humano, um exemplo de pessoa, uma referência para todos nós.
Trabalhar com aqueles pintores de preferência sem os orientar, deixando fluir o seu percurso naturalmente, e ao mesmo tempo estar presente quando é necessária orientação e surge a dúvida, ou a ideia emperra, é função de quem é grande.
Temos andado por perto um do outro, mas a ditadura do tempo fez com que a conversa e a troca de ideias sempre fosse escassa.
Hoje num almoço ,num almoço a três, ao falarmos ao sabor da conversa sem assunto estabelecido , a Sílvia Santiago surgiu com o pensamento de trabalharmos para a mesma ideia. A Sílvia é assim, é uma impulsionadora, uma torrente de ideias sempre a ver o lado positivo das coisas.
A ideia surgiu.
Será o homem a mais bela criação de Deus ?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O Ser não está - Pintura de João Silva - 2005



Trabalhamos geralmente para ter; para ter mais dinheiro, para ter mais conforto, para ter mais importância social... Porém, de acordo com o ponto de vista de Agostinho da Silva, é fundamental inverter esse sentido da vida e trabalhar, sobretudo, para Ser, para ser mais apto, para ser mais consciente, para ser melhor. De acordo com este ponto de vista, até as tarefas mais monótonas e fastidiosas se podem expressar de forma criativa:«Conta-se que um viajante se aproximou de um grupo de canteiros, integrados na construção de uma catedral. Então perguntou ao primeiro:- Que estás a fazer?- Como vês - respondeu - estou aqui a suar, trabalhando como um idiota, à espera que chegue a hora de ir para casa.- E tu, que fazes? - perguntou ao segundo canteiro.- Eu estou a ganhar o meu pão e o dos meus filhos.- E tu, que estás a fazer? - perguntou ao terceiro.- Eu estou a construir uma catedral.»
*
Assim, enquanto o primeiro canteiro trabalhava unicamente para ter, o segundo, apesar de ter um objectivo semelhante, assumia já uma atitude mais digna, atribuindo ao seu trabalho um sentido de serviço prestado aos familiares. Mas é o terceiro que coloca ênfase no Ser, ao considerar que estava a trabalhar com um objectivo superior: construir uma catedral.


José Flórido, in Reencontrar Agostinho da Silva, o poeta e o poema

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Teu Caminho - Pintura de João Silva - 2009


Pintura baseada na quadra de Agostinho da Silva.


Queres ser crente
Melhor que sejas Deus
E entre o nada que é tudo
Encontra caminhos teus

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

São Basilio-Pintura de João Silva 2009


Pertence aquele que tem fome todo o pão que tu guardas; àquele que está nu a capa que tu conservas nos teus guarda-vestidos; àquele que está descalço, os sapatos que apodrecem em tua casa; ao pobre o dinheiro que tu tens guardado. Assim tu cometes tantas injustiças quantas as pessoas às quais poderias dar.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Arte contemporânea no projecto 12-15



Os alunos da aula de pintura do projecto 12-15 da Escola Intercultural das Profissões da Amadora, desenvolvem um projecto colectivo aproveitando material plástico que tinha servido para proteger o chão, quando se efectuaram pinturas de melhoramento nas instalações da escola.
Estas peças que inicialmente eram de propaganda de vários produtos da indústria farmacêutica, ficaram com inúmeros pingos e riscos despreocupados, as quais posteriormente foram trabalhados na aula.
Depois de dados como finalizados, estes trabalhos são excelentes exemplos de arte contemporânea.


João Silva
Fev. 2009

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Os 3 esses de Agostinho


Faz este ano dez anos, mais precisamente no próximo mês de Julho, que fiz a minha exposição de homenagem a Agostinho da Silva “OS 3 ESSES DE AGOSTINHO

Como exercício de memória, aqui vos deixo com um excerto do texto do catálogo.

“Falar da pintura de João Silva é entender um percurso entre o velho gesto, o figurativo tímido e abstracto simbólico que toca numa religiosidade sem capela.
Escorrimentos de alma dedicados a Mestre Agostinho da Silva, universal do sentir, cântico de maré cheia onde os barcos unem continentes na saudade de regressar a casa.
Nesta pintura existe um simbolismo onde a rosa-dos-ventos demarca visões largas em todas as direcções.
Infinito estelar onde o sonho se confunde com a realidade.
Pintura, rasgo de verdade. Palavra despindo a imagem.
Musica tocando nas veias. Homenagem com sabor fresco de maresia.
João Silva
Agostinho da Silva
O abraço sobre o dorso marítimo dos desejos ,para uma única coisa na vida.
Viver.”

Eduardo Nascimento
Julho de 1999

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Chegar aos 80 anos ,e pegar num lápis de cor.


Trabalhar criatividade e confiança no projecto Recrear a Vida é lidar de certa forma com memorias, algumas delas perdidas, outras mais presentes.
A maior parte dos alunos têm idades avançadas. Muitos deles são sábios analfabetos ,que me fazem muitas vezes lembrar o provérbio chinês: Quando morre um idoso, é uma biblioteca que arde.
Trabalho com este tipo de população já lá vão alguns anos, mas guardo na memória o que me foi dito por uma aluna na primeira vez que entrou na sala de aula.

“Foi preciso chegar aos oitenta anos, para pegar num lápis de cor”.

Depois disto, qualquer palavra é supérflua.

João Silva

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A liberdade é possivel.


A materialização do caminho da pintura de João Silva faz-se sempre pelo mesmo trilho: o do gesto e da cor. Existe através da repetição, e exige atenção atenta.
Não é fácil afirmar sempre de forma sempre diferente. A coerência e a coragem de um rumo, medem-se pelo rigor em buscar apenas o essencial.
No limite precário de todas as existências, o luxo da pintura continua a ser a demonstração que a liberdade é possível.
Jorge Souto
2001

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Com o teu olhar



Menino de vida difícil
Que rompes o Sol
Com o calor do teu corpo

Que rasgas a paisagem
Numa finta de bola e de esperança
E rematas o teu ser
Num recreio que te quer bem

Vem
Ataca a tua dor
Neste porto de abrigo
Escola

Usa os teus dias
Que não são mais que os nossos dias
Entende o Amor

Para que nós
Possamos sonhar
Com o teu olhar

PROJECTO 12/15


Como uma madeira que bóia e é levada ao sabor da maré, assim fui eu parar à Escola Intercultural da Amadora, mais concretamente ao Projecto 12/15.
Trabalhar com jovens com idades entre os 12 e os 15 anos ,com forte incidência no abandono escolar e aproxima-los do seu espírito criativo através da rítmica e da pintura é uma tarefa dura, mas ao mesmo tempo gratificante.
Alem da minha actividade artística, esta escola é sem dúvida um lugar onde tenho dado todo o meu humilde saber.
Estes meninos merecem tudo que lhe poder-mos dar, porque possivelmente muitos deles nunca tiveram nada, ou quase nada.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Sofrimento - Foto João Silva


A mão contra a mente.




Invenção fenomenológica e espontânea do automatismo que nos remete para uma representação caligráfica do inconsciente. Nunca é demais realçar a coragem, por vezes a loucura feliz de se ser total no despojamento. O conflito é constante, a simbologia é dilacerada pelo imediatismo do gesto, a mão contra a mente, a elevação do tempo contra a inquietude dos dias.


A expressão artística de João Silva faz parte de todos nós.


É aquela comichão nas costas, aquela onde as mãos não chegam.


Rodrigo Dias
2001