quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ulisses pelos alunos do Projecto 12-15













Foi representado hoje no auditorio da EIPDA pelos alunos do Projecto 12-15, a peça Ulisses.
Baseada na adaptação de Maria Alberta Meneres, o ritmo da representação correu muito bem.
No final uma boa ovação que deixou contentes alunos e professores ,que se empenharam fortemente para que a peça fosse um exito.
Os cenarios foram tambem pensados e executados com criterio ,tudo da responsabilidade dos alunos.
Parabens a todos.
João Silva

terça-feira, 16 de junho de 2009

O Amor deita lágrimas quando se emociona ou, O nascimento de uma grande mulher.


Caro professor João Silva,


Aqui vai um pequeno resumo da minha reportagem sobre a doença de Alzheimer, vencedora do Prémio Nacional de Jornalismo Universitário, na categoria de Rádio.Como lhe confidenciei, o meu primeiro contacto com a doença de Alzheimer antecedeu a minha visita ao Centro de Apoio Diurno, da Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer, em Alcântara, uma vez que tive um familiar (o meu avô materno) que sofreu durante cerca de 18 anos desta demência e com a qual tive um contacto diário. A escolha do tema esteve, portanto, relacionada com essa anterior ligação com a doença em questão.

Quis transmitir o amor e os laços de afeição que se criam diariamente naquele espaço, entre auxiliares, terapeutas ocupacionais e utentes. Ali estabelecem-se vínculos, existem oportunidades de socialização e de ocupação. O luto diário travado pelos familiares das pessoas com demência é, de certa forma, atenuado. Alzheimer é uma realidade à qual se fecha demasiado os olhos. Devia ser de conhecimento público que esta doença é considerada, actualmente, a principal causa de deterioração cognitiva.

Sabe-se que não tem e que provavelmente nunca venha a ter cura, mas esta demência pode ser vivida de uma forma mais digna pelos doentes. E é essa a tarefa diária daquele centro; os utentes são valorizados e estimulados enquanto pessoas, sendo-lhe concedida dignidade humana. É uma demência contra a qual a equipa técnica trava uma luta diária, em troca de um sorriso ou um olhar que parece dizer apenas “obrigado”.

Não consigo descrever o turbilhão de sentimentos que se apoderou de mim na altura em que o meu nome foi anunciado e o prémio entregue pela Produtora Executiva da Rádio Renascença, Sofia Vieira. Senti-me extraordinariamente realizada por ver o meu trabalho reconhecido não só por profissionais do meio jornalístico, mas também pelas ONG’s presentes e pelos próprios organizadores do prémio.Espero que goste e gostava de saber a sua opinião acerca da mesma depois de ouvi-la. Encontra-se disponível no site do Parlamento Global: http://www.parlamentoglobal.pt/parlamentoglobal/cidadania/2009/5/11/110509+ALZHEIMER+PNJU.htmDeixo-lhe também o link de outro trabalho que fiz para a Revista N, um projecto da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, sobre a Iª Festa do Livro Infantil de Lisboa, que decorreu entre os dias 27 de Março e 5 de Abril, na Praça da Figueira. http://revistan.org/2009/04/22/a-magia-das-palavras-i%C2%AA-festa-do-livro-infantil-de-lisboa/


Mais uma vez, obrigado pela disponibilidade e amabilidade com que me receberam na Escola Intercultural das Profissões e do Desporto da Amadora. Tem sido extraordinário, gratificante e recompensador poder trabalhar sobre o "Projecto 12-15". A equipa é fantástica. Cada um de vocês é um pequeno grande mundo. Aliás, o projecto em si mesmo é um mundo de sonhos, onde sonhar acordado é permitido. Um lugar onde se partilham sentimentos e histórias que inspiram, que emocionam. Um projecto que é, acima de tudo, uma lição de amor e de vida. Na minha opinião, não há melhor contador de histórias que o coração.


Com os melhores cumprimentos,


Joana Clara

Uma notável visita ,com o olhar cheio de futuro.




Foi com prazer que a EIPDA e o Projecto 12-15 recebeu na Reboleira a jovem jornalista Joana Clara, recente premiada com o Premio Nacional de Jornalismo Universitário.
A Joana tomou conhecimento da nossa actividade através de imagens da TV Amadora, quando da exposição Matrecos&Afectos, que se realizou na Casa Museu Roque Gameiro no passado mês de Abril. O impulso de fazer uma reportagem sobre o nosso dia-a-dia foi ideia que logo se lhe impôs, por isso pôs mão à obra. Aguardamos o seu trabalho final com alguma ansiedade.
Pessoalmente pedi-lhe se podia facultar o texto premiado sobre a doença de Alzheimer. Acedeu gentilmente. Brevemente, depois de o receber disponibilizarei o seu conteúdo aqui.




Foi dela que recebemos a seguinte mensagem:




Bom dia professor João Silva




Gostaria de lhe agradecer a disponibilidade e a amabilidade com que me recebeu na passada terça-feira, assim como à restante equipa que entrevistei e que está por detrás deste projecto, que, espero eu, com a minha reportagem, seja de conhecimento público. Espero que também tenha gostado da entrevista e que fique orgulhoso do resultado final.
Com os melhores cumprimentos,


Joana Clara

Ulisses no Projecto 12-15







Acabado está o cenário para a peça Ulisses que os alunos da aula de pintura do Projecto 12-15 executaram com dedicação.
A texto está a ser ensaiada pela professora Olívia, e será apresentada na próxima quinta feira no auditório da EIPDA.
Êxito é o que desejo a todos os intervenientes. Lá estarei para vos apoiar e aplaudir.



João Silva

domingo, 14 de junho de 2009

Poesia - Dentro de Água




A boiar
No alguidar
Sem sequer
Me querer olhar
O pincel descansa dentro de água.
Para minha mágoa

João Silva 09

O Mundo Parou







Com o ateliê em obras, não sei onde está nada, e da última vez que procurei um desenho ,andei debaixo dos panos que estiquei para proteger os materiais da pintura do tecto, tudo me veio parar às mãos, tudo menos o que procurava. Estou sem norte,sem essa estrela polar que guiou os nossos marinheiros.
Sinto-me um asmático a quem lhe tiraram a bomba. O mundo parou, mas em breve voltará a rodar, e os pingos de tinta que estão no chão, continuarão a ser vistos por mim como estrelas e planetas do um firmamento que não tem mais que 30 metros quadrados.


João Silva


Antoni Tápies - Sentido e Inquietação










Pintor Catalão, Antoni Tàpies nasceu em Barcelona 1923. O budismo tem muita importancia na obra de Tàpies, considera-se um cidadão interventivo politicamente e socialmente. É uma referência na cultura europeia com o Informalismo e Arte Pobre. É um homem da cidade, inflenciado pela cultura urbana no que tem de mais essencial: as marcas, os grafites nos muros, os sinais, a luz, o movimento. Todos os elementos gráficos da cidade são matéria de trabalho. A geometria de Tàpies é provocadora, não nos deixa indiferente.
O uso de materiais atípicos na obra de Tápies , tais como areia e asfalto, faz lembrar a obra dos artistas da Arte Povera, que transformavam os elementos mais simples em obras de arte, enquanto que os rabiscos ao acaso são influenciados pela Arte Informal, um movimento que se centrava em obras abstractas inspiradas no subconsciente do artista.
Nascido em Barcelona em 10 de Abril de 1923, Tápies testemunhou em primeira mão os acontecimentos da Guerra Civil espanhola. A guerra teve um impacto importante na sua obra, dando-lhe uma dimensão influente e ocasionalmente um ponto de vista político. Tàpies é um dos mais importantes artistas espanhóis do pós-guerra, admirado pela beleza perene das suas obras.
Pessoalmente sou um admirador desta extraordinaria obra ,enérgica e pujante que nasce do nada, da humildade dos materiais e que o artista transforma, dando-lhe sentido e inquietação.
João Silva

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Rafael e a Escola de Atenas ,ou a diluição do tempo.


O artista renascentista italiano Rafael Sanzio (1483-1520) foi discípulo de Perugino e contemporâneo de Leonardo da Vinci, Michelangelo e Fra Bartolommeo. O fresco Escola de Atenas é uma das suas mais admiradas obras, pintado a pedido do Papa Júlio II, no salão de sua biblioteca particular, no Vaticano. Na Escola de Atenas Rafael dispôs figuras de sábios de diferentes épocas como se fossem colegas de uma mesma academia. Na composição dos personagens destaca-se Platão, segurando a sua obra Timaeus, e apontando a sua mão direita para cima, talvez referindo-se às causas de todas as coisas. Segundo Fowler , o título original do fresco era Causarum Cognitio, e somente após o século XVII passou-se a usar o nome popular Escola de Atenas.

Agostinho da Silva - Toda a Escola é um templo.




Em 1937, Agostinho dava início a uma actividade que marcaria a vida de muitos. Cria o Núcleo Pedagógico Antero de Quental e em 1940 publica “Iniciação: cadernos de informação cultural,
no total 120 cadernos foram escritos e editados por Agostinho da Silva, entre 1937 e 1944 sobre os mais variados temas.
Mas seriam os cadernos «O Cristianismo», editado em 1943, e «Doutrina Cristã», 1944, que abriram um fogo-cruzado entre Agostinho, a Igreja e o Estado Novo.
Na sequência da polémica em torno desse texto onde Agostinho dizia, por exemplo, que Deus não exige nenhum culto dos seus seguidores e defendia que toda a escola era um templo.É preso pela polícia política em 1943
Algumas destas publicações têm na contra-capa uma chamada de atenção que revela bem o seu total desapego aos bens materiais.
“ Se o numero de assinantes o permitir, baixar-se-á o preço da assinatura.”
João Silva

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Poesia - O homem.


O homem
Grande e inteligente
O homem
Parvo e desigual
O homem
Com sua aparência
O homem
É um animal


João Silva 82

O próximo livro




Na aula de ontem o Pedro mostrava-se muito irrequieto. Dava pulos, atirava-se para o chão e ria sem eu estar a perceber o que se passava. Depois queria meter o cesto dos papéis na cabeça.
Dei um berro mais forte, ele olhou para mim e respondeu-me: Calma stor, não se irrite, estou só a trabalhar para o próximo livro.

João Silva

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Action Painting


Action Painting


Assim é chamado o Expressionismo abstrato americano.No início dos anos 40, surge em NovaIorque, um estilo originalde pintar.
É a “Action Painting” ou pintura de ação ou gestual, criada por Jackson Pollock (1912-1956).
Jackson Pollock, numa das suas inaugurações, quando a sua agente lhe chamou a atenção, dizendo que ele era muito discreto e que tinha que dar mais nas vistas.
Pollock aproveitando a oportunidade, pois estava aflito. Acabou por fazer o seu xixi numa enorme lareira que existia ao fundo da sala da exposição.
Assim, acedeu ao pedido da agente, e ao mesmo tempo ficou aliviado.

João Silva

Padre Antonio Vieira - Se não fazemos, apenas duramos.

Falando aos indios.Vieira já lhes incutia a ideia de reclamarem direitos.







PADRE ANTÓNIO VIEIRA


Padre jesuíta, missionário, orador e diplomata, António Vieira foi sobretudo um dos maiores prosadores da língua portuguesa. A diversidade de registos da sua intervenção tornou-o, ao longo da segunda metade do século XVII, uma das figuras dominantes da vida portuguesa, tendo argumentado junto das cortes europeias a causa da Restauração e a legitimidade de D. João IV como rei de Portugal. Defensor dos direitos dos indígenas do Brasil onde passou uma parte importante da sua vida ( chamavam-lhe PAYASU, que quer dizer Pai Grande), autor de um importante corpus de Sermões que o coloca entre os maiores escritores portugueses de todos os tempos, António Vieira nasceu em Lisboa a 6 de Fevereiro de 1608 e morreu no Brasil, na Baía, a 17 de Junho de 1697.


Ums das suas frases que mais gosto deste notável portugues:

Se fazemos existimos
Se não fazemos,apenas duramos.

João Silva

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Silêncio


Gosto muito desta definição de silêncio que o pintor, escritor e paleontólogo Miguel Barbosa escreveu.
Aqui estamos nós numa foto em 2004,naquelas tardes de Lisboa onde se falava de tudo e de náda e onde ainda não me passava pela cabeça vir a conhecer a EIPDA e o Projecto 12-15.


João Silva





O silêncio
é uma experiência,
genéticada palavra
o hieróglifo
que só o amor
poderá definir.


Miguel Barbosa

Concentração,liberdade e parabéns,Carla Reis.




O projecto 12-15 está-nos sempre a reservar surpresas. Distraído, ao dobra a esquina de um dos pavilhões da escola , dei com os alunos da professora de Inglês ,Carla Reis a trabalha com tal concentração que fiquei um pouco admirado.
Qualquer colégio inglês que formata crianças e jovens “bem-educados” ficaria com imensa inveja ao ver este precioso momento. Felizmente que os nossos são mais livres que os primeiros.
Um prazer para o olhar.
Parabéns Carla

João Silva

Carrasqueira, um lugar único.Uma técnica de construção com cerca de dez mil anos.


Perto de Lisboa ,um local único que já visitei varias vezes,e que tem sempre um lado novo por descobrir.
A aldeia ribeirinha da Carrasqueira, em plena Reserva Natural do Estuário do Sado e vizinha da Comporta (do topo sul da península de Tróia e respectivas praias), conserva uma obra-prima da arquitectura popular. Trata-se de um impressionante cais palafítico, que se estende e ramifica ao longo de centenas de metros pelos esteiros lamaçentos do rio Sado. Foi construído para permitir aos pescadores - muitos dos quais mulheres - o acesso aos respectivos barcos, mesmo durante a baixa-mar. A aldeia, ainda que muito transformada nos últimos anos, conserva algumas construções que eram típicas da beira-Sado, como é o caso dos palheiros, casas construídas em madeira e cobertas de caniço.
João Silva

terça-feira, 2 de junho de 2009

O ládo certo do Amor.

Recebi ontem uma pequena mensagem da minha querida amiga Marina dos Santos,grande pintora e historica professora de Historia de Arte da Escola secundaria da Amadora , portanto minha vizinha no dia a dia .

Encantada,
recebi hoje um exemplar de O Amor dá berros quando se irrita,
do querido amigo João Silva,que vive o lado certo do amor.

Marina dos Santos

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O Projecto 12-15 na Amadora Educa.















Os Matrecos do Projecto 12-15 actuaram com a orquestra de Djambes na Amadora Educa.
No final do espectáculo foram convidadas crianças de outras escolas para experimentarem este popular tambor.
Importante foi também o relacionamento dos alunos com o stand da PSP que estava no recinto.
Uma tarde de muito calor com tudo a correr bem, que só pecou pela falta de cobertura do palco.

João Silva

domingo, 31 de maio de 2009

O interesse e a visibilidade do Projecto 12-15 é cada vez maior




Estive na Escola Intercultural das Profissões e do Desporto da Amadora, na passada sexta-feira, em entrevista com o Sr. Eng. Adelino Serras, acerca do "Projecto 12-15". Fiquei a conhecer este projecto através de uma peça realizada pela TV Amadora, que esteve presente na inauguração da exposição Matrecos&Afectos, onde pude constatar que a arte assume, em grande medida, um papel fundamental na diminuição do comportamento, por vezes, violento dos jovens residentes no Concelho da Amadora. Esta iniciativa despertou a minha atenção e, por essa razão, comecei a fazer pesquisa sobre a mesma. Descobri o seu blogue, "A Conquista da Bolina", no qual é claramente evidente essa tentativa de aproximação e contacto dos jovens com o seu espírito criativo, através da música e da pintura. Torna-se particularmente visível o grande afecto que sente por estes jovens. O Sr. Eng. Adelino Serras teve a amabilidade de me conceder um exemplar de um livro da sua autoria, "O Amor dá berros quando se irrita" e já tive a oportunidade de lê-lo.

Estou a contactá-lo, uma vez que me foi proposto fazer uma reportagem para a cadeira de Atelier de Jornalismo, leccionada pelo professor e jornalista do Público, António Granado, e, na minha opinião, este projecto é um tema extraordinariamente interessante para tratar. Gostaria de saber se é possível marcar uma reunião consigo e ter a oportunidade de entrevistar um dos grandes mentores deste projecto, assim como assistir a uma das suas aulas, para presenciar a forma como interagem uns com os outros. A reportagem em questão poderá vir a ser publicada numa revista/jornal com projecção nacional. Proponho-me, desde já, a fazer um trabalho jornalístico credível e de qualidade, que é o que procuro em cada peça que escrevo. Recentemente, tive o privilégio de receber o Prémio Nacional de Jornalismo Universitário, na categoria de Rádio, pelas mãos de Sofia Vieira, jornalista da Rádio Renascença.

Aguardo uma resposta sua. Cumprimentos cordiais,

Joana Clara

A EIPDA na Amadora Educa.




O projecto que está a ser desenvolvido pelos alunos do Projecto 12-15 da Escola Intercultural das Profissões e do Desporto da Amadora está presente no pavilhão desta escola na Amadora Educa.
Trata-se de pequenas composições de desenho e pintura relacionadas com desportos radicais, ideia que colou sem custo ao imaginário dos alunos.
O objectivo é para o próximo ano lectivo, estes trabalhos serem feitos numa escala quase natural. O pavilhão da escola depois da sua montagem, ficou com um ar sóbrio e equilibrado em que o bom gosto impera.

João Silva

Agostinho da Silva ,quinze anos após a sua morte




Acabo de chegar da apresentação do terceiro número da revista Nova Águia, esta dedicada ao legado de Agostinho da Silva, quinze anos após a sua morte.
A palestra decorreu na sala Virgílio Ferreira na biblioteca municipal de Sintra e teve como orador Renato Epifânio.
Como é sabido, a Revista A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no seu manifesto.

João Silva

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Eduardo Lourenço , José Saramago e as fotos prometidas.


Sou devedor contumaz de Eduardo Lourenço desde 1991, precisamente há dezassete anos. Trata-se de uma dívida um tanto singular porque, sendo natural que ele, como lesado, não a tivesse esquecido, já é menos habitual que eu, o lesante, ao contrário do que com frequência sucede em casos semelhantes, nunca a tenha negado. Porém, se é certo que jamais me fingi distraído da falta, há que dizer que ele também não consentiu que eu me deixasse enganar pelos seus silêncios tácticos, que de vez em quando interrompia para perguntar: “Então essas fotografias?” A minha resposta era sempre a mesma: “Ó diabo, tenho tido muito trabalho, mas o pior de tudo é que ainda não pude mandar fazer as cópias”. E ele, tão invariável como eu: “As fotografias são seis, tu ficas com três e dás-me as restantes”, “Isso nunca, era o que faltava, tens direito a todas”, respondia eu, hipocritamente magnânimo. Ora, é tempo de explicar que fotografias eram estas. Estávamos, ele e eu, em Bruxelas, na Europália, e andávamos por ali como quaisquer outros curiosos, de sala em sala, comentando as belezas e as riquezas expostas, e connosco ia o Augusto Cabrita, de máquina em riste, à procura do instantâneo imortal. Que pensou haver encontrado num momento em que Eduardo Lourenço e eu nos havíamos detido de costas para uma tapeçaria barroca sobre um tema desses históricos ou míticos, não sei bem. “Aí”, ordenou Cabrita com aquele ar feroz que têm os fotógrafos em situações de alto risco, como imagino que eles as consideram. Ainda hoje estou sem saber que diabinho me levou a não tomar a sério a solenidade do momento. Comecei por compor a gravata do Eduardo, depois inventei que os óculos dele não estavam bem ajustados e dediquei-me a pô-los no seu sítio, de onde nunca haviam saído. Começámos a rir-nos como dois garotos, ele e eu, enquanto o Augusto Cabrita aproveitava, com sucessivos disparos, a ocasião que lhe tinha sido oferecida de bandeja. Esta é a história das fotografias. Dias depois o Augusto Cabrita, que morreria passados dois anos, mandou-me as imagens tomadas, crendo, decerto, que elas ficariam em boas mãos. Boas eram, ou não de todo más, mas, como já deixei explicado, pouco diligentes.
Tempos depois deu-me para escrever o romance Todos os Nomes, o qual, conforme pensei então e continuo a pensar hoje, não poderia ter melhor apresentador que o Eduardo. Assim lho fiz saber, e ele, bom rapaz, acedeu imediatamente. Chegou o dia, a sala maior do Hotel Altis a rebentar pelas costuras, e do Eduardo Lourenço nem novas nem mandadas. A preocupação respirava-se no ar carregado, algo deveria ter sucedido. Além disso, como toda a gente sabe, o grande ensaísta tem fama de despistado, podia ter-se equivocado de hotel. Tão despistado, tão despistado que, quando finalmente apareceu, anunciou, com a voz mais tranquila do mundo, que tinha perdido o discurso. Ouviu-se um “Ah” geral de consternação, que eu, por obra dos meus maus instintos, não acompanhei. Uma suspeita atroz me havia assaltado o espírito, a de que o Eduardo Lourenço decidira aproveitar a ocasião para se vingar do episódio das fotografias. Enganado estava. Com papéis ou sem eles, o homem foi brilhante como sempre. Pegava nas ideias, sopesava-as com o falso ar de quem estava a pensar noutra coisa, a umas deixava-as de lado para um segundo exame, a outras dispunha-as num tabuleiro invisível esperando que elas próprias encontrassem as conexões que as potenciariam, entre si e com alguma da segunda escolha, mais valiosa afinal do que havia parecido. O resultado final, se a imagem é permitida, foi um bloco de ouro puro.
A minha dívida tinha aumentado, ultrapassara em tamanho o buraco de ozono. E os anos foram passando. Até que, há sempre um até que para nos pôr finalmente no bom caminho, como se o tempo, depois de muito esperar, tivesse perdido a paciência. Neste caso foi a leitura recente de um ensaio de Eduardo Lourenço, Do imemorial ou a dança do tempo, na revista “Portuguese Literary & Cultural Studies 7” da Universidade de Massachusetts Dartmouth. Resumir essa extraordinária peça seria ofensivo. Limitar-me-ei a deixar constância de que as famosas cópias já se encontram finalmente em meu poder e de que o Eduardo em poucos dias as receberá. Com a maior amizade e a mais profunda admiração.


José Saramago

Poesia - Globalização à beira mar plantada.


Saboreando a soberania nacional
Saboreando como cidadão legal
Sinto um certo gosto amargo, um certo travo

Não me estão a servir Nacional
Não estão, não, eu sei o que pedi
E estou a ser enganado. Aqui.

João Silva 83

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Eugenio de Andrade - É urgente o amor.


É urgente o amor.

É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos,

muitas espadas.


É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,

é urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras.


Cai o silêncio nos ombros e a luz

impura até doer.

É urgente o amor, é urgente


permanecer.


Eugénio de Andrade