domingo, 12 de julho de 2009

O sagrado o porfano e a livre escolha.

Trinta e nove pequenos trabalhos de colagem desenho e pintura .





















































Estes trinta e nove trabalhos de pequenas dimensões sobre o sagrado o profano e o livre arbítrio estão concluídos para serem apresentados na próxima exposição “ Será o homem a mais bela criação de Deus?”.
O evento feito em parceria com o pintor Muno Quaresma e a Dr.ª. Sílvia Marques vai decorrer no próximo mês de Abril no Centro Cultural da Mala Posta.
Aqui vos deixo em excerto do texto de apresentação.
"Numa época marcada por uma crise de valores, identidades - individuais e colectivas - por maniqueísmos fabricados – Eixo do Mal, Fiéis, Infiéis – mas também por um novo optimismo – “Yes we can” – na construção de um novo modelo alicerçado nas cinzas do Liberalismo Financeiro; equipámo-nos para empreender uma viagem plástica consagrada ao Homem e ao seu Mundo.Será o Homem a mais bela criação de Deus?Num esforço de resposta pintámos o Homem nas suas múltiplas dimensões: espiritual, intelectual, afectiva… energética, física, mágica.Debruçámo-nos sobre o Belo… e descobrimos nesta senda a armadilha da própria procura: afinal o que é o Belo?Relacionámos criação com c minúsculo com a Criação com C maiúsculo, e procurámos entrar em comunhão com o Demiurgo…… mas também em oposição, em relativização, em admiração e redenção.O resultado é um espólio conjunto brevemente disponível no endereço : "
: http://www.seraohomemamaisbelacriacaodedeus.blogspot.com/

João Silva

terça-feira, 7 de julho de 2009

Uma pintura brilhante,para uma ideia brilhante.




Uma pintura brilhante, para uma ideia brilhante.


É com prazer que me associo ao evento A Brighter Picture em boa hora patrocinado pela Merck Serono. Trata-se de um projecto para motivar os portadores de Esclerose Múltipla a expressar-se através da pintura, do desenho ou outra forma que entenderem desde que não seja em trabalho tridimensional.
Como orientador dos Workshops que se vão realizar no norte, centro e sul do pais, cabe-me em tom descontraído e informal esclarecer os objectivos que se pretende atingir como acto criativo.
Todos nós somos seres excepcionais na medida que somos únicos e irrepetíveis. Como seres únicos, somos também seres criativos, uns com a sua criatividade mais à flor da pele, outros com a chamada veia artística mais escondida. Não interessa se somos artistas experimentados ou se nunca tomamos contacto com esta realidade de pegar num pincel ou em qualquer outro material de artes plásticas. O que interessa de facto é participar de maneira descontraída alegre e participativa.
O conhecimento e a transformação dos elementos naturais permitiu ao homem há muito tempo, encontrar materiais capazes de gerar o traço a cor a textura e as diferentes técnicas que se propôs aplicar.
É um saber que cedo se manifestou nas pinturas rupestres das grutas de Altamira com o uso do ocre das terras coloridas. Este saber foi explorado ao longo dos tempos, quer na origem dos materiais (mineral, vegetal e animal) quer nos processos alquímicos da sua transformação.
Mas é a partir de 1838, quando é inventado o tubo de tinta que tudo se transforma .
O homem agora pode movimentar-se com a sua paleta de cores para onde muito bem entender. Daí até aos dias de hoje o processo tornou-se cada vez fácil, os materiais abundam, adquirir materiais para artes plásticas nos dias de hoje tem só uma dificuldade. Saber escolher, pois a oferta que nos rodeia é enorme. E são estes os materiais que a Merck Serono tem o prazer de vos oferecer, para que possamos desenvolver sem complexos a nossa obra, e traduzirmos tudo o que nos vai na alma.
Para se perceber melhor o que se pretende, talvez esta quadra de Agostinho da Silva resuma de maneira sublime a nossa actividade.Substituimos a palavra original "dança"pela palavra "pintura " e o resultado é este.
Nesta pintura quero ter
Pé firme em leve dança
Com todo o saber de adulto
Todo o brincar de criança

Os materiais

As telas, o suporte onde vai ficar registado a nossa maneira de ver o mundo, vão ser vinte para cada um dos locais e não vão exceder os 420x594 mm.
As tintas acrílicas com as cores que traduzem os nossos sentimentos. Preto, branco, verde, vermelho, azul, amarelo, violeta e laranja.
Os pincéis de vários números vão-nos ajudar como ferramenta entreposta entre o nosso pensamento, o nosso gesto e a execução.
As paletas que vão servir para misturar as tintas da maneira que quisermos, sem qualquer restrição pois somos senhores absolutos da nossa obra.
E os pasteis se quisermos desenhar com mais acutilância, ou simplesmente pelo prazer de riscar.
A criatividade espera-nos.
Gostava de terminar com esta frase de Picasso:
“A pintura é uma grande mentira, que serve para contar a verdade.”
É esta verdade que vamos atingir !!!

João Silva
Musico, Artista Plástico e Formador

Longe estava a democracia.


Mais uma aquisição para o conjunto de documentos que colecciono sobre o Estado Novo.


As palestras radiofónicas referentes à campanha eleitoral de 1949, feitas por Botelho Moniz.
Longe estava a Democracia.
As eleições legislativas portuguesas de 1949 foram realizadas no dia
13 de Novembro, sendo eleitos os 120 deputados da Assembleia Nacional. A totalidade dos deputados eleitos pertence à União Nacional. A Oposição apresentou listas em Portalegre e Castelo Branco. O novo parlamento iniciou os trabalhos no dia 25 de Novembro de 1949 e manteve-se em funções até ao termo do seu mandato em 1953.
Anos mais tarde o golpe do mesmo Botelho Moniz foi, segundo alguns historiadores, uma tentativa de
golpe de estado em Março/Abril de 1961 em Portugal, efectuada pelos oficiais liberais e dirigida pelo general Botelho Moniz.
A suposta denúncia a Salazar , onde o
general Kaúlza de Arriaga e o almirante Américo Tomás (apoiantes do Estado Novo) detiveram um papel importante, levou à demissão de vários dos mais altos chefes militares. O insucesso deveu-se, sobretudo, às falhas de organização dos implicados.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A melhor maneira de não enjoar a bordo,é a de contemplar o horizonte.

















Não vamos enjoar a bordo.
Às segundas e terças de manhã estou no projecto Fazer a Ponte, em Alcântara.
Os alunos começam agora muito lentamente a mostrar algum interesse pela pintura, e por todo o imaginário que a envolve. Noto agora nestas últimas aulas o impulso de querer fazer.
Depois de algumas experiencias que fiz, começo agora a perceber o caminho.
Agradeço à Dr.ª Fátima Tremoço o apoio que tem dado nas conversas que temos no final das aulas, tentando sempre encontrar o melhor caminho para os alunos.

João Silva

Carolina Quirino.




Da pintora Carolina Quirino recebi o seguinte texto.

Olá João
Os meus comentários nem sempre me saem espontaneamente. Quando me surgir a vontade espontânea de me expressar garanto-lhe que terá uma "tese" acerca deste blog!
Muito sinceramente, agradou-me imenso o facto de fazer tantos comentários da forma tão pessoal que o caracteriza. Fala das coisas mais banais de uma forma muito apelativa e que faz pensar.
Por exemplo, a forma como comentou as obras no atelier remeteu-me não só para encarar determinadas situações de forma mais leviana mas tb me fez lembrar a minha pessoa na maneira franca como se expressa.
Mais, admiro bastante o ser diletante e as iniciativas q toma porque o projecto desenvolvido na escola resultou em projectos fantásticos.Por incrível q pareça não tenho um blog, nem nada no myspace!!
Mas ver o seu (teu!—aos poucos habituo-me!) deu-me vontade de iniciar tb um, passando esta fase de candidatura p mestrado (para o qual ainda não tenho projecto!!!!)
Por fim, o enorme gosto e obrigado de ter um amigo pintor (entre muitas outras profissões) que tão bem me compreende na maioria das coisas q todos não conseguem compreender e uma sensibilidade enorme.
Prometo mesmo q farei um comentário mais profundo e q sem dúvida merece.
Beijinho enooorme de uma amiga.


Carolina Quirino

domingo, 5 de julho de 2009

"Não,foram vocês!"



Consta que na segunda guerra mundial, durante a ocupação alemã em França, os oficiais da força aérea irromperam pelo atelier de Picasso, e pararam em frente ao seu quadro Guernica, perguntando se havia sido ele que tinha feito “aquilo”.
Irreverentemente, respondeu: ”Não, foram vocês!”

Eric Dolphy




Muito do que se faz no Jazz hoje se pode entender se percebermos Eric Dolphy.
Eric Allan Dolphy (Los Angeles, California, 20 de Junho de
1928 – Berlim, 29 de Junho de 1964) foi um músico de jazz extraordinariamente criativo e inventor . Tocava saxofone alto, flauta e clarone.
Dolphy foi um dos vários saxofonistas de jazz de grande peso que se tornaram conhecidos na década de 1960. Foi também o primeiro claronista importante como solista no jazz, além de ser dos flautistas mais significantes nesse estilo.Em todos esses instrumentos era um impecável improvisador. Nas primeiras gravações, ele tocava ocasionalmente um
clarinete soprano tradicional em Si bemol. O seu estilo de improvisação era característico por uma torrente de idéias, utilizando amplos saltos intervalares e abusando das doze notas da escala. Além disso, era comum que usasse efeitos sugerindo sons de animais. Embora o trabalho de Dolphy seja às vezes classificado como free jazz,as suas composições e solos possuem uma lógica diferente da maior parte dos músicos de free jazz. Era, todavia, indubitavelmente, um vanguardista. Logo após a sua morte,a sua música era descrita como "demasiado 'out' para ser 'in' e demasiado 'in' para ser 'out'".

Bossa e Jazz no Convento do Beato











Foi um prazer tocar no Sabado no Convento do Beato na companhia dos meus colegas,excelentes músicos e executantes.

O repertório escolhido de Clássicos do Jazz e da Bossa Nova foi excelente.


WAVE - Ant.º Carlos Jobim
DESAFINADO - Ant.º Carlos Jobim / N. Mendonça
CHEGA DE SAUDADE - Ant.º Carlos Jobim
TICO – TICO NO FUBÁ - Zequinha de Abreu
SAMBA DE UMA NOTA SÓ - A. C. Jobim
ÁGUA DE BEBER - A. C. Jobim / Vinicius de Morais
SAMBA D'ORDEU - Luiz Bonfa / Antonio Maria
EU SEI QUE VOU TE AMAR - Ant.º Carlos Jobim
TRISTE - Ant.º Carlos Jobim
CORCOVADO - Ant.º Carlos Jobim
O PATO - João Gilberto
INSENSATEZ - Carlos Jobim / Vinicius de Morais
TAKE THE "A" TRAIN - Billy Strayhorn
BEYOND THE SEA - George Benson v.
ALL OF ME - S. Simons / G. Marks
RAINDROPS - Burt Bucharah
PETITE FLEUR - Sidney Bechet
PINK PANTHER - Gershwin
TAKE 5 - Paul Desmond
BLUE MOON - Richard Rodgers
MISTY - Erroll Garner / Johnny Burke
FLY ME TO THE MOON - Bart Howard
IN THE MOOD - Glenn Miller
MACK THE KNIFE - Clássico
AUTUMN LEAVES - Jonhy Mercer
SUMMERTIME - George Gershwin
THIS MASQUERADE - George Benson
MY FAVORITE THINGS - Richard Rogers
MY LITTLE DUEDE SHOES - Charlie Parker
CANTALOUP ISLAND - Herbie Hancock
NIGHT IN TUNISIA - Dizzy Gillespie
CHATANOOGA CHOO - M. Gordon / H. Warren
BABY ELEPHANT WALK - Henry Mancini
THE CHIKEN - Jaco Pastorius
JUST THE WAY YOU ARE - Billy Joel
I'VE GOT YOU UNDER MY SKIN - Cole Porter
UNFORGETABLE - Irvin Gordon
THE WAY YOU LOOK TONIGHT - J. Kern e D. Fields
HIT THE ROAD JACK - Parcy Mayfield
BLUE BOSSA - Louis Bonfa


João Silva

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Jacques Cousteau - Uma grande personalidade do Sec XX





Jacques Cousteau nasceu em 1910, em França, e cedo foi admitido na Academia Naval Francesa, ainda quando tinha 20 anos. Sempre sonhou em torna-se um piloto da marinha mas um acidente de carro arrumou esse sonho no seu íntimo e impossibilitou-o de tal.
Assim sendo, enquanto fazia reabilitação teve o seu primeiro contacto com a beleza do mundo aquático. Depressa começou as suas explorações por esse fascinante sub-mundo aquático e, juntamente com Emile Gagnan, desenvolveu o primeiro pulmão aquático.
Também produziu mais de 115 filmes e escreveu diversos livros, de forma a aumentar a preocupação com a beleza aquática e com as ameaças e perigos ecológicos.
Sabendo que Jacques Cousteau era um homem muito preocupado com este mundo, também produziu séries de Tv, criou a "Cousteau Society" e dirigiu o "Monaco Ocean Museum". Finalmente parou no ano em que morreu, com 87 anos, a 25 de Junho de 1997.
A imagem de Cousteaou não se pode dissociar do mítico barco Calypso, onde viajou anos e anos por todos ou quase todos os mares e rios do planeta.

Vínicios de Morais - Ausência


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


Vínicios de Morais

terça-feira, 30 de junho de 2009

Ritmo na Terceira Idade, com a visita das crianças.




A rítmica como envolvência no dia-a-dia dos idosos é uma actividade extremamente importante. As pessoas libertam-se à medida que vai decorrendo os jogos rítmicos, chegando alguns a atingirem momentos de rara alegria e felicidade.
Foi o que aconteceu hoje na Segurança Social na Quinta São Miguel na Venda Nova. Uma demonstração das potencialidades da bateria, instrumento de percussão que muito agradou aos utentes.
Foi um prazer

João Silva

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A Seven Up, e o regresso das caravelas.




Regressadas as caravelas agora resta-nos conquistar o céu. O tal céu aberto na terra que Camões fala na ilha dos amores e que Agostinho da Silva tão bem desenvolve quando evoca os portugueses.
Os portugueses de hoje são os mesmos que descobriram outrora os caminhos do mar, por isso devem continuar a ser como os seus antepassados , poetas.
Essa gente que somos nós, com todo o seu poder de improviso e desenrascanço ,e que hoje não consegue acertar o paço com esta sociedade importada ,globalizada , que nos oferece tudo feito para cada vez menos se pensar.
A Seven up não foi uma bebida feita para ser misturada no vinho .Mas os portugueses não a consomem como ela queria, mas sim com a criatividade de a misturarem (se quiserem) com o vinho.
É esta a nossa marca ,que em breve vai acertar o andar com as forças do espaço e do tempo.
Um céu aberto na terra está a chegar.


João Silva

O Estado Novo, e uma ideia de Portugal




Década de 50. Estamos no auge da propaganda promovida pelo regime conservador que governou Portugal durante 41 anos.Tal como nos tempos que correm, vivia-se na altura na ideia de que Portugal era um País pequeno , como se os países fossem grandes ou pequenos pela sua área.
Certo dia porem, Henrique Galvão (que viria mais tarde a insurgir-se contra Salazar liderando o assalto ao paquete Santa Maria ,e que depois o baptizou de Santa Liberdade ) decide demonstrar outra ideia bem diferente . Produz então este mapa onde mostra as áreas as colónias Portuguesas sobrepostas aos países da Europa. Com todo o Império concentrado no velho continente as fronteiras de Portugal chegariam até à Rússia!!!

João Silva


domingo, 28 de junho de 2009

Tempos de Ser Deus







Agostinho da Silva
Tempos de Ser Deus.A Espiritualidade Ecuménica de Agostinho da Silva
Autor: Paulo Borges




As comemorações do Centenário do nascimento de Agostinho da Silva, a nível nacional, lusófono e internacional, estão a sensibilizar-nos para a mensagem desassossegadora e libertadora deste grande despertador de consciências, que viu como a transformação profunda, a que aspira a insatisfação de hoje e de sempre, não deriva tanto das condições externas quanto da profunda mutação daquilo que é o próprio âmago do nosso ser e de toda a realidade - o espírito ou a mente -, de cuja metamorfose, individual e colectiva, depende toda a regeneração e aperfeiçoamento das nossas vidas, em todas as suas dimensões: ética, estética, intelectual, social, política e económica.É como contributo para essa desejável metamorfose que publicamos aqui três estudos cuja unidade reside na expressão de três aspectos fundamentais da espiritualidade de Agostinho da Silva: a sua visão do absoluto ou de Deus como “Nada que é Tudo”, a relação entre criatividade e mística e a sua original leitura do Espírito Santo como igualmente presente no íntimo de todos os homens e de toda a experiência religiosa, agnóstica e ateia, fundando um ecumenismo verdadeiramente universal onde todas as religiões, agnosticismos e ateísmos possam dialogar, como vias igualmente válidas para essa experiência culminante que descreve como a plena realização de si ou o “ser Deus”.

http://www.ancora-editora.pt/

José Craveirinha - Quero ser tambor


Quero ser tambor (excerto)



..."Oh,velho Deus dos homens
eu quero ser tambore
nem rio e nem flore
nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia.
Só tambor ecoando a canção da força e da vida
só tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até à consumação da grande festa do batuque!
Oh, velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor!


JOSÉ CRAVEIRINHA - Moçambique

sábado, 27 de junho de 2009

O mundo voltou a rodar







O ateliê começa a ser organizado. O mundo começa a girar.

É entre o silêncio e a tela em branco
Que guardo a respiração entre pincéis
A tinta desliza, como uma pomba
A representar o Espírito Santo
Depois a inquietação, sempre a inquietação
Olho, salto de silêncio em silêncio
Novamente,o recomeço que já começou
É neste espaço
Que me cabe o mundo.

João Silva 09

Arno Stern e o Projecto 12-15









A organização do ateliê segundo Arno Stern é uma das minhas ideias para trabalhar no Projecto 12-15 para o ano.
A importância deste projecto passar a ter um espaço/atelier é enorme. O pedido está feito, vamos ver se conseguimos.

Arno Stern
Artista plástico francês que dedicou a vida de artista a ensinar crianças.
Ele considerava que nem todos os artistas tinham vocação para ensinar expressão plástica. Não estudou arte, mas ensinava porque achava que tinha vocação para ensinar.
Outro aspecto que Arno Stern fala, são as técnicas. Ele diz que o educador nunca deve ensinar pela teoria, mas sim pela prática. Através dos próprios erros, ela vai aprender. Na criança ensina-se primeiro a prática e depois a teoria. Ex: quando se pinta na horizontal, a tinta escorre, e ela pergunta ao professor porquê. Mas ele não responde. Tem a ver com a quantidade de água. Ela tem de saber por experiência própria que a tinta com muita água, escorre.


João Silva

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Manuel Amegre - Coração Polar



Não sei de que cor são os navios
quando naufragam no meio dos teus braços
sei que há um corpo nunca encontrado algures no mar
e que esse corpo vivo é o teu corpo imaterial
a tua promessa nos mastros de todos os veleiros
a ilha perfumada das tuas pernas
o teu ventre de conchas e corais
a gruta onde me esperas
com teus lábios de espuma e de salsugem
os teus naufrágios
e a grande equação do vento e da viagem
onde o acaso floresce com seus espelhos
seus indícios de rosa e descoberta.


Não sei de que cor é essa linha
onde se cruza a lua e a mastreação
mas sei que em cada rua há uma esquina
uma abertura entre a rotina e a maravilha.
há uma hora de fogo para o azul
a hora em que te encontro e não te encontro
há um ângulo ao contrário
uma geometria mágica onde tudo pode ser possível
há um mar imaginário aberto em cada página
não me venham dizer que nunca mais
as rotas nascem do desejo
e eu quero o cruzeiro do sul das tuas mãos
quero o teu nome escrito nas marés
nesta cidade onde no sítio mais absurdo
num sentido proibido ou num semáforo
todos os poentes me dizem quem tu és


Manuel Alegre