segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Uma vida


Com 16 anos,com o cigarro na boca embora não fumasse,para dar estilo.
















Um fascínio de criança
Uma vida.
Um coração que bate
Um ritmo difícil .

O prazer
De estar na musica
Por dentro
Dentro dela.

Uma vida
De baqueta em riste
Um mar imenso
O prazer do improviso

O rigor do tema
Tocar para a equipa
Músicos experientes
Humildade

O Jazz
Essa paixão inconsciente
A nota azul
O Amor

O olhar das crianças
Acartar com o bombo
Sofrer.
Valer a pena

Continuar
Não deixar acabar
O prazer essencial.
Até morrer

A Censura em Portugal


Clique, e apercie os promenores.


Adquiri na Feira da Ladra um subscrito censurado, enviado do Brasil( Rio de Janeiro ),para Lisboa com a data de 21 de Agosto de 1944.Estamos em plena II Guerra Mundial e seguramente a atenção era redobrada .
A 14 de Maio de 1936, a fundação de jornais é regulada e proíbe-se a publicação de publicidade oficial (do Estado) em alguns deles, para que não seja o próprio Estado a financiar os seus inimigos, além de se proibir a entrada em Portugal de qualquer publicação que não fosse aceite pelos próprios critérios do governo português.
O Regulamento dos Serviços de Censura foi adoptado em Novembro do mesmo ano, mas não chega a ser publicado no Diário do Governo. Quem quisesse fundar algum jornal ou revista tinha, a partir de então, de requerer autorização da Direcção deste organismo. Enquanto que, durante a Primeira República, os espaços censurados deviam aparecer em branco, em sinal de censura, o Estado Novo tenta, de todas as formas, apagar esses sinais, obrigando os jornais a alterarem por completo a organização das páginas poucas horas antes de saírem. Acrescentando a isto que tinham, por vezes, de apresentar provas à comissão de censura, a manutenção de um periódico tornava-se insuportavelmente dispendiosa para alguns editores que acabam por entrar em falência - claro que as comissões de censura penalizarão especialmente os jornais mais rebeldes com este género de exigência. Em 1944, o organismo de censura passa a estar na dependência do Secretariado Nacional de Informação, que, por sua vez, estava sob a alçada do próprio Presidente do Conselho (Salazar).
Munidos com o célebre "lápis azul", com que se cortava todo texto considerado impróprio, os censores de cada distrito ou cidade, apesar de receberem instruções genéricas quanto aos temas mais sensíveis a censurar, variavam muito no grau de severidade. De facto, verifica-se que houve regiões do país onde estes eram mais permissivos e outras onde eram exageradamente repressivos. Isto devia-se ao facto de constituírem um grupo muito heterogéneo a nível intelectual. Muitos reconheciam rapidamente qualquer texto mais ou menos "perigoso" ou revolucionário, enquanto que outros deixavam facilmente passar conteúdos abertamente subversivos.
Uma ordem da Direcção dos Serviços de Censura considerava, no que diz respeito à literatura infanto-juvenil, que "parece desejável que as crianças portuguesas sejam cultivadas, não como cidadãos do Mundo, em preparação, mas como crianças portuguesas que mais tarde já não serão crianças, mas continuarão a ser portugueses".

ARTE POSTAL - Fazer a Ponte na Educação & Ambiente



Alunos do Projecto Fazer a Ponte / Alcântara, trabalham para a exposição de Arte Postal ,Educação & Ambiente.
Esta instituição foi a primeira a colaborar no referido projecto e já enviou pelo correio alguns trabalhos.
Obrigado aos alunos, obrigado Fátima Tremoço.

João Silva

domingo, 13 de setembro de 2009

A Batalha de Aljezur




Estas ferias quando visitava Aljezur dei com a edição de um livro de José Augusto Rodrigues, que relata pormenores da Batalha de Aljezur, e com duas vitrinas que estavam na Junta de Freguesia ,com diversas peças relacionadas com esta batalha,entre elas restos dos aviões alemães que cairam na costa vicentina. Uma batalha da II Guerra Mundial, pouco divulgada.
O episódio da batalha aérea de Aljezur é relativamente mal conhecido. O regime de Salazar queria abafar o caso, que comprometia a propagandeada política de neutralidade de Portugal. Afinal, o espaço aéreo nacional tinha sido violado pelo agressor germânico. Mas as simpatias do regime ficaram bem claras na pompa e circunstância que emprestou às cerimónias fúnebres. João Vaz de Almada encontrou escassas referências na imprensa da época. "Alguns, na ânsia de desdramatizar o ocorrido, chegam a referir que se tratou de um acidente e não de um combate".
O Século do dia seguinte refere que "(…) a bordo de barcos de pesca portugueses, como a traineira Valha-nos Deus , os tripulantes tiveram que deitar-se no convés, por causa das rajadas de metralhadora, pois os aviões voavam muito baixo". Uma missiva confidencial, datada de 14 de Julho desse ano, e enviada pelo Ministério da Marinha ao seu representante máximo, não deixa dúvidas quanto ao conhecimento do governo português da batalha aérea: "Na manhã de Sexta-feira, 9 de Julho de 1943, quatro aviões alemães apareceram na costa ocidental algarvia, três dos quais sobrevoaram Sines (conforme comunicação do posto de lá) às nove e dez minutos, a baixa altura, de sul para norte, largando bombas de profundidade junto à costa, provavelmente por virem perseguidos por aviões aliados". No fim concluía: " Possivelmente deste grupo de aviões faria parte o que caiu em Aljezur...".

sábado, 12 de setembro de 2009

EDUCAÇÃO & AMBIENTE - Arte Postal na Escola Intercultural das Profissões da Amadora.Primeiros passos.




A primeira Exposição de Arte Postal da EIPDA já tem o seu blogue, e já esta em andamento dando os primeiros passos.
Esperamos agora a MAIOR participação possível. As imagens de todos os trabalhos recebidos vão ser colocadas no novo blogue.
Visite - http://eipdapostalverde.blogspot.com/

Vai ser um grande evento, que tem o objectivo ambicioso de receber postais de Portugal e do resto do mundo.


Para mais informações podem ligar-me: 964148693.

João Silva

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A importância dos aerogramas na Guerra Colonial ou a saudade em papel fragil.


Clique para ver melhor
A minha primeira aquisição hoje na Feira da Ladra. Em plena guerra colonial, um aerograma de 1966 .Muitas historias levaram estes frageis documentos de cores diversas.
Aerograma militar, papel cor azul, 40g, marca de água PRADO BOND. Aerograma militar, papel cor amarelo, 40g, marca de água EXTRA AZENHA/ PORTUGAL
Com o fim da Guerra Colonial, encerra-se um período que marcou profundamente os Portugueses ao longo de treze intermináveis anos.Em folhas de papel cor pálida, dia a dia, a saudade foi lida e contada. Na intimidade, medo, angústias e promessas de amor foram guardados.Histórias vivas, que de tão guardadas, permanecem.
Um bom exemplo é o livro editado pelas filhas do escritor Lobo Antunes, que reune os aerogramas enviados pelo pai a sua mãe.

Feira da Ladra - O Prazer de Procurar.




Uma excelente manhã, ideal para visitar a Feira da Ladra, foi o que me aconteceu hoje.
Um dia na medida, para remover e encontrar livros e documentos com historia.
Com origem na Idade Média, século XIII, a Feira da Ladra é o mais antigo mercado de Lisboa que ainda tem lugar nos dias de hoje.
Situada no Campo de Santa Clara, na freguesia de São Vicente de Fora desde 1882, a Feira percorreu anteriormente muitos outros locais históricos da cidade.
Todas as terças feiras e sábados, do nascer ao pôr-do-sol, por tendas, bancas ou mesmo por panos espalhados no chão, a Feira da Ladra expõe os seus produtos, sobretudo velharias e material usado.
Livros, roupas, loiças, material de escritório, moedas, discos, cd’s, calçado, fotografias, móveis e mais o que a imaginação consiga conceber, tudo encontra na Feira da ladra e a preços reduzidos, num dos bairros históricos da cidade de Lisboa.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

João Vieira - O pintor morreu,ou toda a morte é sempre injusta.



O pintor João Vieira morreu este sábado em Lisboa, no Hospital de Santa Maria, vítima de complicações na sequência de uma operação ao coração.
Nascido em Trás-os-Montes em 1934, era um dos fundadores do grupo KWY, em Paris.
Começou a expor em 1956 e, em França, trabalhou com Arpad Szenes. Passou ainda pela Maidstone College of Art. Nome de relevo da pintura portuguesa contemporânea, desenvolveu a sua obra também com aproximações ao teatro.
Ao longo dos anos 70, 80 e 90 realizou diversas exposições, onde procurou a participação directa do público.
Em mãos, nos últimos anos, tinha uma exposição individual para a Cordoaria Nacional.

A Guerra, um notavel trabalho de Joaquim Furtado.Para que não se perca a memória.




O horário nobre da RTP é, desde o passado dia 16 de Outubro, palco de exibição de um dos mais ambiciosos projectos documentais realizados no nosso país. “A Guerra”, da autoria de Joaquim Furtado, é um trabalho ímpar que oferece uma leitura simultaneamente global e detalhada do conturbado período bélico que precedeu a revolução de 25 de Abril de 1974, opondo as Forças Armadas portuguesas aos movimentos de guerrilha que lutavam pela independência dos territórios coloniais de Angola, Guiné e Moçambique.
Um período decisivo e que teve um impacto profundo na sociedade portuguesa, não tendo até hoje recebido o esclarecimento e aprofundamento histórico devidos.
Volvidos 46 anos sobre o início da guerra, o documentário, já transmitido em duas séries de 9 episódios cada, aborda aquele que é um dos temas mais sensíveis e marcantes do século XX em Portugal, não apenas na sua dimensão militar, mas também numa perspectiva política e social. Procurando dar uma visão integrada e tão completa quanto possível dos 13 anos de conflito.
O autor articula o sucedido nas suas três frentes – Angola, Guiné e Moçambique – com os contextos português e internacional da época, dois pólos determinantes que condicionavam o desenrolar dos acontecimentos no cenário de guerra.

domingo, 6 de setembro de 2009

A Biblioteca Cosmos e a dificil construção de uma mentalidade livre.








Adquiri mais seis velhos livros da Biblioteca Cosmos.
A Biblioteca Cosmos, criada em 1941 sob a direcção de Bento Jesus Caraça, é um marco da história da cultura em Portugal do século XX.
Bento Jesus Caraça procura com a Biblioteca Cosmos promover a divulgação cultural e a formação e das massas populares e estimular entre os jovens um conjunto de interesses que o Estado recusava. Como o próprio refere, o objectivo da colecção é prestar "reais serviços aos seus leitores e, através deles, a uma causa pela qual lutamos há muitos anos: - a criação de uma mentalidade livre.

José Saramago e Lobo Antunes com livros novos.


José Saramago e António Lobo Antunes marcam mais uma vez a "rentrée" editorial nacional com novos romances.
"Caim", que Saramago escreveu em quatro meses, é uma reflexão, num registo humorístico e irónico, sobre "Que diabo de Deus é este que, para enaltecer Abel, despreza Caim?" - segundo o autor - e estará nas livrarias no final do mês de Outubro, com chancela da editorial Caminho, um ano depois de "A Viagem do Elefante".
Também um ano após a publicação da sua última obra, "O Arquipélago da Insónia", António Lobo Antunes apresenta agora "Que Cavalos são Aqueles que fazem Sombra no Mar?", cujo título foi buscar a uma frase que ouviu o seu amigo Vitorino cantar. O novo livro de Lobo Antunes será lançado em Outubro pela Dom Quixote.

Multiculturalidade


A programação do Festival Musidanças tem no seu blogue a pintura "Multiculturalidade" ,executada no princípio desta semana no meu ateliê. Um tríptico que teve a participação de Carolina Quirino, Firmino Pascoal e João Silva, e que serve de mote para o referido festival.
Para ver o trabalho e a programação, clique em:
http://zoomusica.net/musidancas/2009/index2.html

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Poesia - Acabei de Chegar


Ao remover papeis, dei com um poema meu, feito para o meu filho Bruno, quando este chegou do Brasil após especialização de ano e meio em marketing na Universidade de Santa Catarina.

Aeroporto de Lisboa 28 de Junho de 2005

Com a suavidade
De um pássaro
Metade de mim, apareceu.

De um céu limpo
Um homem forte e feliz
Sorri para todos.

Quase um continente
Se traduz num gesto
Uma língua de fora, uma alegria

Metade de mim
Chegou hoje
E eu acabei de chegar.

João Silva

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

MAIL ART no Projecto 12-15






A Mail-Art ou, em português, Arte Postal é uma forma de arte que se iniciou em meados do século passado e teve grande expressão nos anos 70 e 80. Tem como veículo de transmissão os serviços postais e por isso, postais, envelopes, selos ou carimbos postais são alguns dos suportes em que é possível a expressão desta arte.

A Arte Postal não é um estilo artístico, o que a define é a manifestação artística ser enviada através dos Serviços Postais,ou seja, os Correios.
Os artistas de Mail-Art utilizam principalmente técnicas como colagens, fotos, escrita, pintura ou arte digital, tudo é possível desde que se possa enviar através de um postal.
No âmbito das comemorações do 10º aniversário da EIPDA - Escola Intercultural das Profissões e do Desporto da Amadora E.M. , resolvi pôr em prática o projecto de Arte Postal subordinado ao tema:


EDUCAÇÃO E AMBIENTE



Os trabalhos devem ser enviados para:

Educação e Ambiente

Escola Intercultural das Profissões da Amadora
Av. Dr. José Pontes
Reboleira
2720 206 Amadora


Futuramente, será construído um blogue, onde todas as imagens das peças recebidas vão ser colocadas.Mais tarde será organizada uma exposição, em galeria a anunciar.
Toda a organização, que será necessária para um evento desta dimensão, terá sempre a participação efectiva dos alunos do Projecto 12-15. Só assim este trabalho faz sentido.
O evento é aberto a todos sem excepção, sendo a divulgação feita ao maior número de escolas possível, em Portugal e no Estrangeiro.

Para qualquer informação, favor contactar-me através do seguinte número: 96 4148693



João Silva
Músico, Artista Plástico e Formador

Achado Arqueológico em Sesimbra


Um dos maiores povoados da Idade do Bronze conhecido na Europa, contemporâneo das guerras de Tróia (cerca de 1200 a 800 a.C.), foi descoberto no sopé da Serra do Risco, concelho de Sesimbra.
Com cerca de 100 hectares, o povoado está associado ao monumento da Roça do Casal do Meio, escavado no início dos anos 70 por Konrad Spindler (o primeiro arqueólogo a estudar o Homem do Gelo ou Ötzi), do Instituto Arqueológico Alemão, e que é uma referência científica em toda a Europa.

Este foi um dos mais relevantes achados feitos pela equipa de arqueólogos, espeleólogos, alunos de belas-artes e de arqueologia das Faculdades de Belas-Artes e de Letras da Universidade de Lisboa, do Centre de Estudos e Actividades Especiais, da Liga para a Protecção da Natureza e do Núcleo de Espeleologia da Costa Azul, que durante os últimos dois anos e meio percorreram o território do concelho para elaborar a Carta Arqueológica de Sesimbra.

Pintura e Musidanças - Festival de Arte do Mundo Lusofona.




Foi com prazer que recebi no meu ateliê a presença do pintor, poeta, musico e compositor Firmino Pascoal director e mentor do Festival Musidanças, e da pintora Carolina Quirino, recentemente licenciada pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa.
O objectivo deste encontro foi criar uma pintura produzida a três, para posteriormente ser apresentada nos quatro palcos de diferentes localidades, (a anunciar) onde se vai realizar o referido festival este ano. A tinta deslizou com o pensamento da multiculturalidade de uma aldeia global ,que se pretende que cada vez mais seja forjada pelo respeito e intercambio, entre as diferenças culturais.
Para conhecer melhor este festival : http://www.musidancas.com/

João Silva

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Revista Portuguesa Colonial e Maritima

Clique para ver melhor.


Adquiri num alfarrabista em Cascais o primeiro número da Revista Portuguesa Colonial e Marítima que foi lançada em 1897.
Trata-se de uma revista patrocinada pelo Rei D. Carlos que como se sabe tinha um grande interesse por tudo o que se relacionava com o mar.
Esta publicação durou de 1897 a 1910 e acabou por motivos óbvios, pois a Republica é implantada neste mesmo ano.
João Silva

Em Nome de Deus




O meu livro de férias.Revoltante e perturbador.

A verdadeira investigação sobre a morte do papa João Paulo I. As revelações de David Yallop, feitas após uma cuidadosa investigação que contou com a colaboração encoberta de diversas personalidades do Vaticano, desvendam um universo de actividades financeiras criminosas que mais de uma vez conduziram à morte dos nela implicados.

O autor conclui que, ao tentar opor-se a esse pesado sistema de cumplicidades, precisamente ao ordenar uma investigação sobre os escândalos financeiros no Vaticano e ao manifestar a vontade de substituir de imediato alguns dos principais cúmplices nessas actividades, João Paulo I terá sacrificado a sua vida.
Para mais informações sobre o autor. - www.yallop.co.uk

João Silva

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O Museu do Cinema em Melgaço




Surpresa ,andar a passear em Melgaço e dar com um museu do cinema ,ainda por cima com uma exposição dedicada a Felini.
Segundo um funcionario ,é o unico museu dedicado ao cinema em Portugal ,tirando a Cinemateca em Lisboa.

Inaugurado em Junho de 2005, neste museu encontram-se milhares de cartazes e fotografias, máquinas de cinema do tempo do mudo, equipamentos mais modernos e muitos filmes. Um vasto espólio doado ao município de Melgaço por Jean-Loup Passek. Apaixonado por aquela vila minhota, Passek dirigiu o departamento cinematográfico do Centro Georges Pompidou, em Paris, e foi director do Festival de Cinema de La Rochelle, contando ainda com um vasto currículo ligado ao estudo e à divulgação da sétima arte. O museu contém uma zona de exposição permanente, com um pequeno auditório e espaços dedicados a exposições temporárias.
Localização
Rua
DireitaVila
4960-542 MELGAÇO

Frota de Paz nos Mares da Guerra ,uma exposição de uma memória a não perder, no Museu de Ilhavo



Clique para ver melhor o Maria Glória
Todos os homens que foram ao bacalhau, e todas as mulheres que lhes viveram as viagens, recordam o drama épico da navegação e da pesca em plena Segunda Guerra Mundial. A grande pesca no perigosíssimo Atlântico Noroeste, precisamente sobre a rota da guerra submarina e no mesmo mar por onde passavam os comboios de reabastecimento das forças Aliadas. Por fortuna e engenho de quantos viveram a tormenta de pescar bacalhau nos mares em guerra, apenas dois navios bacalhoeiros portugueses foram torpedeados por submarinos alemães – o Maria da Glória e o Delães. Se a “faina maior” comporta uma dimensão de história trágico-marítima, é nas peripécias do torpedeamento do lugre Maria da Glória, em 1942, que ela melhor se exprime.
Trata-se de um acontecimento “total”, que tudo condensa e tudo questiona sobre esta infindável narrativa.O ponto central da exposição do ano de 2009 no Museu Marítimo de Ílhavo reside, precisamente, na memória desse acontecimento maior e de outros que com ele se ligam: a ambígua neutralidade portuguesa imposta por Salazar; a insólita decisão política de manter a frota bacalhoeira em actividade, obrigando as tripulações a trabalhos e tormentas impensáveis; o quebra-cabeças da navegação em comboios; a celebração da frota branca como “frota de paz nos mares em guerra”.
Uma investigação inédita de documentos “confidenciais” e uma recolha de depoimentos vividos, permitirá ao Museu compor pequenos filmes de forte sentido didáctico e um programa de serviço educativo singular. Serão esses os principais elementos desta extraordinária história, nunca antes contada em qualquer museu.