quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Eduardo Lourenço - Prémio Pessoa 2011 no JL




A 'arca' de Lourenço. O JL revela o precioso acervo de inéditos do Prémio Pessoa 2011, em conversa com João Nuno Alçada e com testemunhos dos especialistas que o preparam para edição. Textos de Fernando Catroga e Guilherme d'Oliveira Martins. Entrevista com Eduardo Lourenço e um inédito seu sobre Régio e pessoa.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Colecção Berardo 1960-2010 no CCB







Exposição permanente do Museu Colecção Berardo (1960-2010)


Esta apresentação do Museu Coleção Berardo (1960-2010) dá continuidade ao período 1900-1960 instalado no piso 2 do museu. Com estes núcleos expostos em permanência, é proposta uma panorâmica da história da arte do século XX até aos nossos dias. Inicia-se com o Minimalismo, o Conceptualismo e a Arte Povera, movimentos que originaram uma pluralidade de atitudes modificadoras do estatuto do objeto artístico; percorre as emergências da narrativa e as reconfigurações da imagem fotográfica ou em movimento, e conclui-se com a diversidade dos discursos de alteridade e uma generalizada prática de interrogação do arquivo histórico.

A todos um bom ano de 2012








Nada melhor que entrar o ano com esta soberba criação do Pessoa.De alguem de tão humano que é,torna-se divino.




Poema do Menino Jesus


Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que ele as criou, do que duvido." -
"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?




Alberto Caeiro

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

50 anos da Invasão da India Portuguesa

Cesária Evora

Funeral de Cesária Évora realiza-se hoje em Cabo Verde

A cantora cabo-verdiana Cesária Évora, que morreu no sábado, vai hoje a enterrar no Mindelo, ilha de São Vicente, onde nasceu há 70 anos.
Às 12:00 (13:00 em Lisboa), o corpo de Cesária Évora será transladado da residência da família, para o Salão Nobre da Câmara Municipal de São Vicente, onde permanecerá em câmara ardente até à hora da partida para o cemitério, às 16:00 horas (17:00 em Lisboa).
No funeral são esperadas as mais altas figuras do Estado cabo-verdiano. O governo português estará representado pelo secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas.O governo de Cabo Verde decretou dois dias de luto nacional e concedeu tolerância de ponto na ilha de São Vicente no dia do funeral.
Em memória da cantora, a bandeira vai estar em meia haste em todo o território nacional, embaixadas, consulados e outras representações de Cabo Verde no exterior.
Cesária Évora morreu no sábado no Hospital Baptista de Sousa, na ilha de São Vicente, Cabo Verde.
Em Lisboa, a artista será recordada hoje a partir das 17:00 numa homenagem no salão nobre da Câmara Municipal, na qual participa o autarca António Costa. A homenagem terá um momento musical assegurado por cidadãos cabo-verdianos radicados em Portugal.
A "diva dos pés descalços", como a imprensa se referiu muitas vezes a Cesária Évora, nasceu há 70 anos na cidade do Mindelo, na ilha cabo-verdiana de S. Vicente numa família de músicos.
Em 1988 grava "La diva aux pied nus", álbum aclamado pela crítica. Nesta fase da sua carreira tem um papel fundamental o empresário francês José da Silva, que se manteve ao lado da artista até ao final.
Em 1992 Cesária Évora gravou "Miss Perfumado" e aos 47 anos torna-se uma "estrela" internacional na "world music", fazendo parcerias com importantes músicos e pisando os mais prestigiados palcos.
Em 2004 recebeu um Grammy para o Melhor Álbum, de world music contemporânea pelo disco "Voz d'Amor". "Cize" não pára e continua em sucessivas digressões, regressando de quando em vez à sua terra natal.
Em 2009 o Presidente francês Nicolas Sarkozy entrega-lhe a medalha da Legião de Honra, depois de uma intervenção cirúrgica que a levou a temer pela vida. Cesária Évora voltou aos estúdios e anunciou não só uma digressão como a gravação de um novo que deveria sair em 2012.
No dia 24 de Setembro numa entrevista ao jornal Le Monde a cantora afirma que teria de terminar a carreira por conselho médico.
Diário Digital / Lusa

Cesária Évora - Sodade (Live)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Umberto Eco,Idade Média



A obra de referência em 4 volumes sobre a Idade Média. Umberto Eco, com a colaboração dos mais importantes medievalistas de diversas disciplinas, acompanha-nos nesta viagem envolvente e surpreendente através da sociedade, arte, história, literatura, música, filosofia e ciência deste período intenso da história da civilização europeia.

Salazar - Biografia Política



"Salazar - Biografia Política" é a primeira biografia académica escrita sobre Salazar. O autor, Filipe Ribeiro de Meneses, é um investigador português a leccionar actualmente na University of Ireland, na Irlanda:
«...as consequências das decisões de Salazar eram sentidas por povos na Europa, África e Ásia. Salazar reconfigurou a política portuguesa, embora não tivesse partidários pessoais nem estivesse disposto a cortejar a opinião pública para os conquistar. Guiou o seu país através do campo minado da diplomacia e política da Guerra Civil de Espanha e da II Guerra Mundial, emergindo incólume da última, não obstante as suas idiossincráticas alianças políticas e a sua neutralidade em tempo de guerra. Sob Salazar, Portugal foi membro fundador da NATO e da EFTA e diligenciou no sentido de se associar à CEE.Simultaneamente, recusou-se a aceitar a inevitabilidade da descolonização, mantendo as suas colónias africanas e asiáticas e desenvolvendo uma aliança flexível com a Rodésia e a África do Sul para proteger as suas mais preciosas possessões, Angola e Moçambique. Quando Salazar saiu de cena, Portugal era alvo de críticas infindáveis nas Nações Unidas e perdera para a União Indiana o grandiosamente intitulado Estado Português da Índia, mantendo todavia a sua atitude de desafio perante o resto do mundo.»

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Andre Rieu 400 koperblazers Triump Marsch Near my God to Thee

David Garrett - Rock Symphonies Live 2010 Zorba's Dance

Land of Hope and Glory - Last Night Proms 2011

SIC Notícias - Fernando Catroga e J. Adelino Maltez sobre o 1º de Dezembro.Absoluctamente excepcional.

Guerra Santa de Nigel Cliff



"Guerra Santa" é uma história épica de espiões, intrigas e traições. E é também uma interpretação nova e radical das viagens pioneiras de Vasco da Gama, encaradas como o ponto de viragem na luta entre a cristandade e o islão.
Em 1498, um jovem capitão navegou de Portugal, circum-navegou África, atravessou o oceano Índico e descobriu o caminho marítimo para a Índia e, com isso, o acesso à riqueza do Oriente. Foi a mais longa viagem conhecida da História. O presente livro revela uma inesperada verdade: a de que tanto Vasco da Gama como o seu rival Cristóvão Colombo se fizeram ao mar para iniciar uma Cruzada, com o objetivo de alcançar as Índias; controlar o mercado de especiarias, sedas e pedras preciosas; e reclamar para Portugal e Espanha, respetivamente, todos os territórios descobertos.
Vasco da Gama triunfou na sua missão e criou uma linha divisória entre as eras históricas dos muçulmanos e dos cristãos - conhecidas, no Ocidente, como as eras medieval e moderna.

Winston Churchill - Memórias da Segunda Guerra Mundial



Enquanto primeiro ministro da Grã-Bretanha entre 1940 e 1945, Winston Churchill não só foi o maior líder da II Guerra Mundial mas também a voz desafiadora mais eloquente do mundo livre contra a tirania nazi. Os relatos épicos de Churchill desses tempos, extraordinários pela acutilância, são aqui reunidos num único volume. Esta obra vital e reveladora retém o drama, os detalhes observados em primeira mão e a prosa magistral dos seus clássicos 6 volumes de história, oferecendo uma valiosa perspectiva de eventos fulcrais do século XX.
A história de Churchill da II Guerra Mundial é, e será, a obra definitiva. Lúcido, dramático, extraordinário, quer pelo seu fôlego e profundidade, quer pelo seu sentido de envolvimento pessoal, este livro é universalmente reconhecido como uma magistral reconstrução histórica e uma duradoura obra de literatura.