quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Todas as canções de uma vida ímpar,digna e acima de tudo muito coerente. Ergue-te ó sol de verão,somos nós os teus cantores ...



"José Afonso é o nosso maior cantor de intervenção!"
Este elogio tão consensual e aparentemente tão generoso é a forma mais eficaz de liquidar a obra do grande mestre da música popular portuguesa no que ela tem de universal e de artisticamente superior.
Não é sequer uma meia verdade. É, de facto, uma «falsa» verdade.
Reduzir José Afonso ao cantor de intervenção, que ele também foi, é induzir no grande contingente de distraídos a ideia de menoridade artística, (mal) associada à canção política.
É claro que, numa análise larga, podemos considerar cada cantiga de José Afonso uma canção de intervenção, na medida em que todas elas reflectem a sua forma de estar na vida e de a observar. Desse ponto de vista, cada uma das suas cantigas foi concebida deliberadamente à revelia da ideologia dominante e contra ela.
Na realidade, porém, as canções de conteúdo expressamente político são até minoritárias no conjunto da sua obra.
Arrumar José Afonso na gaveta da canção de intervenção, é não compreender que a dimensão da sua obra está ao nível do que de mais importante se fez na música popular universal do século XX. E se não teve o impacto mundial que merecia, foi tão-somente porque ele nasceu onde nasceu.
Além disso, essa etiqueta é um óptimo álibi para que os divulgadores musicais o possam banir com toda a tranquilidade. Porque "a música de intervenção já teve o seu tempo e já não interessa ao grande público".
Mas sejamos justos: se a rádio e a televisão ignoram a obra de José Afonso, esse facto não se deve apenas ao analfabetismo musical e ao mau gosto de muitos dos seus directores de programas. Deve-se também às imposições do mercado, para o qual e com o qual esses directores trabalham.
Sintomaticamente, essa marginalização não tem hoje reflexo no meio musical. Pelo contrário, de há uns anos a esta parte, José Afonso passou a ser o autor mais cantado por todas as gerações e diferentes escolas de músicos.
Este facto atesta bem a sua importância na história da música popular portuguesa. Graças ao seu talento excepcional, renovou a nossa canção popular a partir da tradição musical coimbrã em que se iniciou, integrando novas influências e marcando decisivamente as gerações seguintes. A esse papel não são estranhos três factores resultantes da sua própria vivência: o meio universitário coimbrão, culto e boémio, onde estudavam jovens oriundos de zonas rurais ou semi-rurais, que integrava já, na tipicidade das suas baladas, fortes influências da poesia e da música tradicionais de várias regiões do país, sobretudo das Beiras e dos Açores; a instabilidade, pouco normal para a época, da sua infância e da sua adolescência, que muito cedo o levou a contactar com meios socioculturais muito diferentes; uma cultura literária acima da média, adquirida sobretudo em Coimbra, que contribuiu para elevar os seus padrões de qualidade no uso da palavra cantada.
Mestre incontestado da canção popular portuguesa, simultaneamente um genial autor e intérprete de canções, cidadão exemplar e incansável lutador pela liberdade e pela justiça no contexto da ditadura salazarista, mas também no pós 25 de Abril, a sua vasta obra discográfica, iniciada em 1953 e terminada em 1985, constitui um manancial inesgotável de inspiração e de aprendizagem.
José Afonso deixou-nos em 1987. Num país tremendamente desculturado e desatento foi preciso esperar quase um quarto de século para ver aparecer o presente trabalho, que reúne as partituras de todas as 159 canções que gravou, com as respectivas letras e cifras, exceptuando apenas os fados de Coimbra de autoria alheia que interpretou.
Para que este livro possa constituir um complemento de alguma utilidade para quem pretender conhecer e estudar a sua obra, optámos pela transcrição fidedigna do que está registado nos fonogramas, independentemente de pensarmos, num ou outro caso, que poderia haver outras soluções ao nível da estrutura ou da harmonia. Pela mesma razão, não sugerimos qualquer hipótese de harmonização, quando a harmonia não é evidente no arranjo.
Apenas nos permitimos alterar a tonalidade de algumas canções na transcrição, nos seguintes três casos:
— Para que a partitura reflicta a digitação utilizada, nas situações em que a afinação habitual das violas foi alterada;
— Quando os instrumentistas utilizaram um transpositor;
— No limite, quando a tonalidade da gravação, com pequena diferença de tessitura, poderia dificultar desnecessariamente a leitura e a execução.
A autoria das letras e das músicas é de José Afonso, excepto quando são indicados outros autores.
Esperamos que este José Afonso — Todas as canções possa contribuir para um melhor conhecimento e estudo deste precioso património.»

Guilhermino Monteiro
João Lóio
José Mário Branco
Octávio Fonseca

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

DA CEGUEIRA À LUCIDEZ


JOSÉ SARAMAGO - DA CEGUEIRA À LUCIDEZ

António José Borges


Uma obra literária através da qual o autor procura revelar os verdadeiros objectivos da obra de José Saramago, nos limites do percurso ideológico e literário entre o Ensaio sobre a Cegueira e o Ensaio sobre a Lucidez, passando por Todos os Nomes, A Caverna e O Homem Duplicado.

Prefácio de Miguel Real
Posfácio de Elsa Rodrigues dos Santos

«(...) António José Borges aduz um conjunto de argumentos (...), acrescentando, assim, uma nova luz ao esclarecimento das múltiplas perspectivas estéticas por que se tem enquadrado a obra de José Saramago.
(...) O romance ganha em José Saramago um estatuto ensaístico de permanente inquirição e abertura de horizontes culturais, segundo interrogações radicais de carácter filosófico (a questão de Deus, a questão civilizacional do capitalismo, a questão da identidade do eu…), que desafiam, senão subvertem, o paradigma conceptual por que habitualmente interpretamos o mundo, forçando o romance a tornar-se, mais do que a narrativa de uma história, um inquiridor das regras e dos modelos do acto instaurador da palavra.»

Miguel Real
in Prefácio

«Além de aprofundar as motivações do texto, numa análise muito rica, levando o leitor a novos caminhos de interpretação, [o autor] desvenda a essência humanista de
Saramago coadjuvado por textos seus paralelos (diários, entrevistas e artigos), como dos seus dados biográficos, em que Lanzarote foi pedra basilar.
Na defesa da tese da existência de um percurso ideológico e literário dentro dos parâmetros já referidos, António José Borges selecciona três aspectos como os mais relevantes: O tratamento da religião e mais concretamente o papel de Deus, o discurso aforístico (nomeadamente os ditados populares), o papel do cão nos seus romances deste período.»

Elsa Rodrigues dos Santos
in Posfácio

A fuga das Galinhas


Um gestor vale mais do que quem salva vidas e cria (vários tipos) de riqueza como um médico ou um cientista? Qual é o dom especial que possuem para que ganhem muito mais que todos os outros? Não se sabe. Mas essa ignorância não altera os rendimentos.Mesmo que os resultados empresariais derivem de uma extensa cadeia. Mesmo que todas as empresas devam ter um papel social. Pois é. Os nossos trabalhadores são dos mais mal pagos da Europa, mas os gestores são dos mais bem pagos. Um gestor alemão recebe dez vezes mais que o trabalhador com o salário mais baixo na sua empresa. O britânico 14. O português 32. Mas, segundo um estudo da Mckinsey, Portugal tem dos piores gestores. Logo, quando se fala em reduzir direitos e salários, a quem nos devemos referir? Lógico? Não. Dizem que os bons gestores escasseiam e é necessário recompensá-los. Senão, fogem do país. Ok. Então, é simples. Se são assim tão poucos, ide. Não serão significativos na crescente percentagem de fuga dos cérebros que estavam desempregados/explorados. Depois, contratem-se gestores alemães ou ingleses. Por lá, não rareia tanto a qualidade. Estão habituados a discutir não só ordenados mínimos como ordenados máximos. E sempre são mais baratinhos.

Joana Amaral Dias, Docente universitária

domingo, 12 de dezembro de 2010

Nenhuma vontade de domínio; mandar é do mundo das aparências.


Compreensão Sábia e Activa

A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio; quem apareça manchado de superstição ou de fanatismo ou incapaz de separar e distinguir ou dominado pelos sentimentos e impulsos, não o tomarei eu como guia do povo; antes de tudo uma clara inteligência, eternamente crítica, senhora do mundo e destruidora das esfinges; banirá do seu campo a histeria e a retórica; e substituirá a musa trágica por Platão e os geómetras.
Hei-de vê-lo depois de despido de egoísmo, atente somente aos motivos gerais; o seu bem será sempre o bem alheio; terá como inferior o que se deleita na alegria pessoal e não põe sobre tudo o serviço dos outros; à sua felicidade nada falta senão a felicidade de todos; esquecido de si, batalhará, enquanto lhe restar um alento, para destruir a ignorância e a miséria que impedem os seus irmãos de percorrer a ampla estrada em que ele marcha.

Nenhuma vontade de domínio; mandar é do mundo das aparências, tornar melhor de um sólido universo de verdades; se tiver algum poder somente o veja como um indício de que estão ainda muito baixos os homens que lho dão; incite-o o sentir-se superior a mais nobre e rude esforço para que se esbatam e percam as diferenças; não aproveite para mostrar a sua força a fraqueza dos outros; o bom lutador deseja que o combatam mais rijos lutadores.
Será grato aos contrários, mesmo aos que veem armados da calúnia e da injúria; compassivo da inferioridade que demonstram fará tudo que puder para que melhorem e se elevem; responderá à mentira com a verdade e ao ódio com o bem; tenazmente se recusará a entrar nos caminhos tortuosos; se o conseguirem abater, tocará com humildade a terra a que o lançaram, descobrirá sempre que do seu lado esteve o erro e de novo terá forças para a luta; e se o aplaudirem pense logo que houve um erro também.

Agostinho da Silva, in 'Considerações e Outros Textos'

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Os Presépios dos 12-15




Presépios feitos no atelier de Artes Plásticas pelos alunos do Projecto 12-15.


A palavra “presépio” significa “um lugar onde se recolhe o gado, curral, estábulo”. Contudo, esta também é a designação dada à representação artística do nascimento do Menino Jesus num estábulo, acompanhado pela Virgem Maria, S. José e uma vaca e um jumento, por vezes acrescenta-se outras figuras como pastores, ovelhas, anjos, os Reis Magos, entre outros. Os presépios são expostos não só em Igrejas mas também em casas particulares e até mesmo em muitos locais públicos.
Os primeiros presépios surgiram em Itália, no século XVI, o seu surgimento foi motivado por 2 tipos de representações da Natividade (do nascimento de Cristo): a plástica e a teatral. A primeira, a representação plástica, situa-se no final do século IV, esta surgiu com Santa Helena, mãe do Imperador Constantino; da segunda, a teatral, os registos mais antigos que se tem conhecimento são século XIII, com Francisco de Assis, este último, na mesma representação, também contribui para a representação plástica, já que fez uma mistura de personagens reais e de imagens. Embora seja indubitável a importância destas representações da Natividade para o aparecimento dos presépios, elas não constituem verdadeiros presépios.
O nascimento de Jesus começou a ser celebrado desde o século III, data das primeiras peregrinações a Belém, para se visistar o local onde Jesus nasceu.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Inaugurada a Casa da Escrita em Coimbra


Coimbra


“Casa de Sonho”
presta homenagem
à escrita

Casa da Escrita une-se ao Plano Nacional de Leitura, com várias actividades, em parceria com as escolas

É uma «casa de sonho». A casa onde um grupo de jovens estudantes e pensadores se reunia e dava asas ao dom da escrita. Ontem voltou a ser o que sempre foi quando lá vivia João José Cochofel: uma casa aberta. «Todos para aqui vinham», recordou a filha do poeta, Maria Eugénia Cochofel, na cerimónia de inauguração, que contou com a presença de alguém que, nesse passado distante, ajudou a criar o neo-realismo e o Novo Cancioneiro, Eduardo Lourenço.
Esteve na casa do arco, na Rua Dr. João Jacinto, umas duas vezes. Tinha 19, 20 anos e só ficava no jardim. É agora, aos 87 anos, que sente que vai conhecer verdadeiramente aquele espaço, na Alta de Coimbra, que lhe enche a alma só como foi baptizada. «Não podia ter mais belo nome», salientou, recordando uma geração que naquele «castelo de sonhos» assistia «às injustiças do mundo».
Do jardim, Eduardo Lourenço pensava que dentro daquelas paredes havia uma biblioteca, cheia de livros de «ícones da literatura universal», que para ele eram «inacessíveis». «Tudo estava nesta casa», onde se reuniam pensadores, que idealizavam um mundo que precisava de ser «renovado, alterado, desconstruído» e, por isso, «inventaram uma nova maneira de estar na ordem».
«Os sonhos que esta geração sonhou foram radicais, intensos. Fizeram-no como poetas, cidadãos e, sobretudo, como gente que não aceita a realidade e a deseja transformar», adiantou o ensaísta, dando como exemplo João José Cochofel, como «um lírico na sua expressão mais simples e quase minimalista». Mais. «Alguém que tem uma espécie de paixão deste mundo, uma espécie de Alberto Caeiro sem metafísica nenhuma», continuou, elogiando essa vontade do poeta «de ser o cantor do lado mais solar deste mundo».
A partir de agora, aquele espaço será «mais do que uma casa de escrita». É também a casa onde nasceu a vontade de que a realidade – pelo menos, parte dela – «fosse feita do que os sonhos são feitos».

Uma saga com um final feliz
«Coimbra dos escritores celebra-se aqui», considera Carlos Encarnação, salientando que a neta Joana conseguiu definir a antiga residência de Cochofel da melhor maneira: «é uma casa com muitos sítios». Relembrando a «saga» deste sonho antigo, o presidente da Câmara Municipal de Coimbra realçou a «aposta nas virtudes da escrita», enquanto o director regional de Cultura, António Pedro Pita, disse que mesmo antes de ser uma “Cidade Refúgio” - rede a que aderiu em 2003 -, Coimbra tinha «há muitos anos uma casa dos que não tinham casa».
A promessa do curador da Casa da Escrita é simples: «corresponder com uma programação tão viva quanto foi esta casa», com iniciativas vocacionadas para a escrita criativa e outras para a escrita funcional. Por ali, continuou, vão passar «grandes escritores nacionais e estrangeiros», que vão «enriquecer o arquivo aberto desta casa», sublinhou Seabra Pereira, realçando o trabalho no âmbito do Plano Nacional de Leitura.
Presente na cerimónia de inauguração, a ministra da Educação destacou, precisamente, essa ligação ao Plano Nacional de Leitura, desejando que o trabalho ali desenvolvido seja uma «fonte de inspiração para os professores» para que se sucedam iniciativas conjuntas com as escolas e que «contribua para o aprofundar do gosto pela leitura e pela escrita».
Definindo a Casa da Escrita como «um marco importante para a história da cultura do nosso país», Isabel Alçada espera que esta contribua para «tornar mais acessível o inestimável poder, que é o poder de escrever».
A sessão ficou ainda marcada pela leitura de poemas de João José Cochofel por Maria de Jesus Barros e pela vereadora da Cultura, Maria José Azevedo Santos.

domingo, 5 de dezembro de 2010

OS BICHOS - O homem enquanto animal , os animais muitas vezes mais dignos que os humanos, e acima de tudo um enorme grito de liberdade.




Escrito em 1940, Bichos é um clássico da literatura portuguesa.
Livro simples, transparente, honesto e sentido.
Um grito amargo e profundo da terra que encerra os homens. Uma fusão total entre a terra e o ser humano, como se tudo emergisse de uma amálgama onde terra, bichos e homem fossem a pasta de onde nasceu a ordenação universal das coisas e dos seres.
A rudeza das torgas, a aspereza das montanhas, a magreza das terras e a solidão do tempo, misturam-se num universo, cantado em poesia por um mestre que foi apenas um homem. Um homem que viveu e lutou contra um mundo ainda mais agreste, ainda mais hostil: o mundo da ditadura.
Bichos é, também, o retrato fiel do viver transmontano; uma vida de suor e lágrimas, por entre escolhos e lobos, mas sempre repleta daquela alegria que só o sofrimento pode justificar: a alegria de ser, de viver em comunhão total coma natureza, em fusão permanente com os elementos.
Miguel Torga fez desta obra um testemunho impar da união natural entre os Homens e os Bichos – a simbiose da vida. No meio dos dois, a terra, o traço que lhes dá vida. No trabalho, nas paixões e nas dores, os bichos compartilham com os homens as esperanças e as desgraças.
Curiosa a palavra: “bichos” e não “animais”. Bichos são, talvez, os animais humanizados, irmanados com o homem na mesma luta; na vida.
A linguagem, simples mas cuidada é uma das mais belas expressões da cultura popular: um vocabulário fidelíssimo à realidade transmontana. Quem conhece aquelas terras, reconhece-se em Torga. Mas a poesia latente por detrás destas estórias não é de Torga. É da terra. Por isso, este livro não é só uma criação do seu autor; é muito mais do que isso: é uma emanação da terra. E neste conceito de “terra” podemos englobar os homens e os seus irmãos “bichos” – os três elementos constituem um todo, um cosmos único onde Torga participa como mensageiro, personagem e intérprete.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Um excerto do Labirinto da Saudade de Eduardo Lourenço, um livro obrigatório.



O Labirinto da Saudade

“Que o português médio conhece mal a sua terra – inclusive aquela que habita e tem por sua em sentido próprio – é um facto que releva de um mais genérico comportamento nacional, o de viver mais a sua existência do que compreendê-la.”

“Citar um autor nacional, um contemporâneo, um amigo ou inimigo, porque nele se aprendeu ou nos revimos com entusiasmo, é, entre nós, uma raridade ou uma excentricidade como usar capote alentejano. A referência nobre é a estrangeira por mais banal que seja, e quem se poderá considerar isento de um reflexo que é, por assim dizer, nacional?”

“Os Portugueses vivem em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo.”

“Mas seja qual for a interpretação ideológica de Camões, não é possível, para ninguém, separar o seu canto épico da apologia histórica de um povo enquanto vanguarda de uma fé ameaçada na Europa do tempo e de um império igualmente guarda-avançada da expressão comercial e guerreira do Ocidente. É essa a «matéria» textual e moral do Poema.”

“Em princípio, todo o português que sabe ler e escrever se acha apto para tudo, e o que é mais espantoso é que ninguém se espante com isso.”