terça-feira, 6 de março de 2012

Maria Helena Vieira da Silva,20 anos depois.







Uma das mais importantes pintoras europeias da segunda metade do século XX
Nasceu em Lisboa em 13 de Junho de 1908;morreu em Paris em 6 de Março de 1992.

Filha do embaixador Marcos Vieira da Silva, ficou órfã de pai aos três anos, tendo sido educada pela mãe em casa do avô materno, director do jornal O Século.
Tendo mostrado interesse, desde muito pequena, pela pintura e pela música começou a estudar pintura, a partir de 1919, com Emília Santos Braga e Armando Lucena. Em 1924, frequenta as aulas de Anatomia Artística da Escola de Belas Artes de Lisboa.
Em 1928 vai viver para Paris, acompanhada pela Mãe, indo visitar a Itália. No regresso começa a frequentar as aulas de escultura de Bourdelle, na Academia La Grande Chaumière. Mas abandona definitivamente a escultura, depois de frequentar as aulas de Despiau.
Começa então a estudar pintura com Dufresne, Waroquier e Friez, participando numa exposição no Salon de Paris. Conhece o pintor húngaro Arpad Szenes, com quem casa em 1930, e com quem visitará a Hungria e a Transilvânia.
Em 1935 António Pedro organiza a primeira exposição da pintora em Portugal, e que a faz estar em Portugal por um breve período, até Outubro de 1936, após o qual voltará para Paris, onde participará activamente na associação «Amis du Monde», criada por vários artistas parisienses devido ao desenvolvimento da extrema direita na Europa.
Regressará em 1939, devido à guerra, já que para o seu marido, judeu húngaro, a proximidade dos nazis o incomoda, naturalmente. Ficará em Portugal por pouco tempo, pois o governo de Salazar não lhe restitui a cidadania portuguesa, mesmo tendo casado pela igreja. Não deixa de participar num concurso de montras, realizado no âmbito da Exposição do Mundo Português, que também lhe encomendou um quadro, mas cuja encomenda será retirada.
O casal de pintores decide-se a ir para o Brasil, até porque as notícias sobre uma possível invasão de Portugal pelo exército alemão não são de molde a os sossegar.
Em Brasil serão recebidos de braços abertos, recebendo passaportes diplomáticos, que substituem os de apátridas emitidos pela Sociedade das Nações, tendo mesmo recebido uma proposta de naturalização do governo.
Residirão no Rio de Janeiro até 1947, pintando, expondo e ensinando, regressando Vieira da Silva primeiro que o marido, retido pelos seus compromissos académicos.
É a época em que Vieira da Silva começa a ser reconhecida. O estado francês compra-lhe La Partie d'échecs, um dos seus quadros mais famosos. Vende obras suas para vários museus, realiza tapeçarias e vitrais, trabalha em gravura, faz ilustrações para livros, cenários para peças de teatro.
Expõe em todo o mundo e ganha o Grande Prémio da Bienal de São Paulo de 1962, e no ano seguinte o Grande Prémio Nacional das Artes, em Paris,


Em 1956, foi-lhe dada a naturalidade francesa.
Fontes:José Augusto FrançaA Arte em Portugal no Século XX,Lisboa, Bertrand, 1974

segunda-feira, 5 de março de 2012

O mais pequeno mosquito ...




"O mais pequeno mosquito é mais maravilhoso que tudo o que o homem produziu e alguma vez produzirá. Não devemos pois cessar de nos maravilharmos com o mundo que se estende à sua volta e nele [no homem] - um mundo que ele não construiu e que, seguramente, não se fez sozinho. Uma tal atitude gera um espirito de não-violência, que é uma forma de sabedoria"


São Tomás de Aquino.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Os Sons da Gente no Zeca 25 Anos
















Os 25 anos do ZECA na Academia de Santo Amaro - por Hélder Costa

Na passada 5ª feira, dia 23, houve uma noite gloriosa na Academia de Santo Amaro.

Assinalavam-se os 25 anos do desaparecimento do Zeca Afonso.

O concerto contou com a participação de cerca de 20 cantores, músicos, declamadores , grupos e coros no total de 185 intervenientes.

De elevadíssima qualidade musical e com a participação numerosos jovens e seniores – a simbiose perfeita de uma mobilização artística inserida no tecido social - , constituiu um agradável reforço ideológico e “vitamínico” para o público que super - lotou o teatro da Academia.

Os Djambes, São Jorge e o Dragão












O evento/ espetáculo tem como base a estrutura textual da lenda de “S. Jorge e o Dragão” na dicotomia do Bem e do Mal, paradigma dos contrários, das diferenças, resultando no final não da morte do Dragão, mas sim no Nascimento de um Ser novo – a Esperança.Este projeto vai ocupar 3 Praças – 2 locais de partida em Parada para os exércitos antagónicos e 1 local para o Combate.Os 2 grupos de trabalho/exércitos saem ao mesmo tempo de dois locais/praças distantes um do outro, iniciando um percurso que favoreça a visibilidade da ação em Parada.Com a bateria de bombos, fanfarra/banda como suporte sonoro, a população em cortejo acompanha as duas personagens – S. Jorge e Dragão até à Praça Final – Palco Central do acontecimento, onde decorrerá o Combate.Os exércitos trazem na cabeça objetos/esculturas – gigantone-capacete, na mão bandeiras, flâmulas, símbolos identificadores de cada exército pela forma e pela cor.De um lado, Exército de S. Jorge – Figuras Humanas – do outro lado Exército do Dragão – Figuras Fantásticas – com diferenciadas manchas cromáticas e sonoridades distintas – Bombos, Orquestra de Tubos, Canto, etc. - farão o seu combate simbólico apelando, convocando, enfim, seduzindo o público, de modo a gerar fações até ao duelo final, acompanhado por ambiências sonoras.













Exmos./Exmas. Senhores(as)
Na sequência do desfile de Carnaval realizado no Bairro do Zambujal, no dia 21 de Fevereiro, culminar de uma Oficina de construção de Gigantones subordinada à temática “Lenda de S. Jorge e o Dragão”, a Câmara Municipal da Amadora não quer deixar de manifestar o profundo apreço pelo envolvimento e enorme dedicação das diversas entidades que colaboraram nesta Festa e que, seguramente contribuíram para o seu sucesso, como é o caso da Orquestra de Djambés da Escola Intercultural das Profissões e do Desporto da Amadora.

Bem hajam!

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Dina Moreira, Chefe de Divisão

Visita do comandante da TAP João Roque ao Projeto 12-15












No âmbito da exposição “ Voar como um pássaro “ recebeu a Escola Intercultural no passado dia 17 de Fevereiro o Sr. Comandante da TAP João Roque, que veio conversar com os alunos do Projeto 12-15 sobre histórias de aviões. Quase duas horas de conversa onde a curiosidade foi rainha.

Na Amadora - Paredes sempre




Está patente, até ao próximo dia 11 de março, nos Recreios da Amadora, a exposição documental Carlos Paredes – Guitarra com Génio.


Cedida pela Sociedade Portuguesa de Autores, a exposição permite entender «o universo de referência de um homem simples, muito contido nas suas aquisições», segundo José Jorge Letria, presidente da SPA, mas também mostra a grandeza deste símbolo ímpar da cultura portuguesa.

A mostra apresenta ainda fotografias, livros sobre o mestre da guitarra e cartazes de concertos de Carlos Paredes (16-02-1925 a 23-07-2004).

O espólio inclui algumas dezenas de livros da sua biblioteca pessoal, discos de música portuguesa, clássica e popular, recortes de jornais, fotografias e a guitarra portuguesa que Gilberto Grácio construiu de propósito para o músico em 1963 e o acompanhou sempre nos concertos e nas gravações.


Entrada livre.


Recreios da Amadora Av. Santos Mattos, 2

O dia das panquecas.








Foi no passado dia 16 de Fevereiro que se realizou no Projecto 12-15 o dia das panquecas. Uma iniciativa dos professores com os alunos a lambuzarem-se de felicidade.

Encontro de Profissões







O objetivo do Encontro de Profissões nos passados dias 7 e 10 de Fevereiro, foi pôr os alunos da Escola Intercultural a conviver e a dialogar com diversos profissionais.
Uma boa iniciativa que culminou com inúmeras perguntas.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

José Afonso - Os Vampiros (ao vivo no Coliseu)

25 anos - José Afonso o rosto da utopia




Músico morreu a 23 de Fevereiro de 1987
José Afonso, “o rosto da utopia”, recordado por todo o país nos 25 anos da sua morte
As canções de José Afonso “mantêm toda a actualidade” nos dias de hoje (DR)
Os tributos a José Afonso vão multiplicar-se esta semana, quando se assinalam 25 anos sobre a sua morte. As cantigas do mais importante músico de intervenção português vão ouvir-se em público em Coimbra, Braga, Lisboa, Barreiro, Seixal e Setúbal. Seja para recordar, recuperar histórias ou lançar debates. Barcelona também entra no roteiro.
Uma visita ao site da Associação José Afonso (AJA) permite descobrir as iniciativas preparadas para esta semana, em diferentes pontos do país. A agenda começa logo em Coimbra, onde José Afonso – ou, popularmente, “Zeca” – estudou, onde se lançou como músico e activista político, onde se transformou num símbolo dos estudantes.O programa coimbrão “Zeca Afonso – O rosto da utopia” arranca já amanhã, segunda-feira, às 11h, na Baixa. A essa hora é inaugurada uma exposição discográfica na Praça da Comércio, com actuação do Grupo de Fados de Coimbra. No dia seguinte, às 15h30, o Teatro Paulo Quintela acolhe um debate com os jornalistas Adelino Gomes e Joaquim Vieira, que adaptou para televisão a biografia de Zeca, e o compositor Rui Pato.Na quarta-feira, dia 22, ainda em Coimbra, a Estudantina Universitária actua no Café Santa Cruz, às 22h. No dia seguinte, às 21h30, o mesmo espaço recebe uma tertúlia sobre José Afonso. Esta última iniciativa encerra o programa no exacto dia em que se assinalam os 25 anos sobre a morte do músico.José Afonso morreu a 23 de Fevereiro de 1987, aos 57 anos, em Setúbal, onde morava. Sofria de esclerose lateral amiotrófica, doença neurodegenerativa progressiva e fatal que o afastou dos palcos a partir de 1983.



Os derradeiros concertos foram os dos coliseus de Lisboa e Porto. Galinhas do Mato, de 1985, é o seu último álbum, que teve de ser completado pelos amigos José Mário Branco, Sérgio Godinho, Helena Vieira, Fausto e Luís Represas. Em 1986, já muito debilitado, ainda apoiou a candidatura presidencial de Maria de Lourdes Pintasilgo.A maior parte das iniciativas publicitadas pela AJA acontecem no dia 23, quinta-feira. A própria associação preparou um espectáculo de celebração da obra de José Afonso para Lisboa.



Terá lugar na Academia de Santo Amaro, em Alcântara, às 21h. A apresentação estará a cargo do encenador Hélder Costa (que partilha a direcção de A Barraca com Maria do Céu Guerra) e contará com nomes de palco como Francisco Fanhais, Zeca Medeiros, Francisco Naia, Pedro Branco ou Couple Coffee.Também em Lisboa, mas mais cedo (18h), no espaço da Cidade Universitária da Biblioteca-Museu República e Resistência, o jornalista e escritor Viriato Teles vai promover uma sessão de evocação. Recordar José Afonso é a palavra de ordem e é o mesmo que se fará em Setúbal, no La Bohème, a partir das 22h, com António Galrinho e Rui Lino a lerem 25 poemas de “Zeca”.Ainda na quinta-feira, em Braga, o Theatro Circo abre as portas a um tributo conjunto: de José Afonso e de Adriano Correia de Oliveira, cujo desaparecimento aconteceu há 30 anos (a 16 de Outubro). Com apresentação e declamação de Camilo Silva e Maria Torcato, o Canto D’Aqui convidou vários artistas para subir ao palco nessa noite (21h30) e na próxima, para o mesmo espectáculo.



No dia 24, sexta-feira, o itinerário passa pelo Seixal e pelo Barreiro, à hora de jantar. No Seixal, Luís Pires, Pedro Branco, Vítor Sarmento actuam no restaurante O Bispo.



No Barreiro, a associação “Grupo dos Amigos do Barreiro Velho” vai ao restaurante O Pial mostrar como as canções de José Afonso “mantêm toda a actualidade”, 25 (ou mais) anos depois. “Zeca Afonso sempre esteve e continua a estar com os que lutam por um mundo melhor”, lê-se no convite.Por fim, Barcelona. A capital catalã vai acolher dois concertos no L’Auditori, a 25 de Fevereiro e a 3 de Março. O primeiro será da responsabilidade dos Drumming, grupo português de percussão com sede no Porto. O segundo é do projecto “20 canções para Zeca Afonso”, que propõe “um novo olhar sobre a música” do autor de Grândola, Vila Morena.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Antoni Tàpies

Fallece el pintor Antoni Tàpies

Antioni Tàpies 1923-2011


O pintor e escultor catalão Antoni Tàpies, considerado um dos maiores representantes europeus da arte abstracta do pós-guerra, morreu no passado dia 6 de Fevereiro aos 88 anos, em Barcelona.
Numa entrevista que deu ao El País, em 2004, já com problemas de cegueira e de audição, dizia que “o corpo humano se adapta a tudo” e que envelhecer lhe tinha dado uma certa tranquilidade. Sentia que se encontrava “um pouco mais livre do que quando era jovem”. Acreditava que a pintura só valia a pena se fosse útil à sociedade, “porque senão não valia a pena fazê-la”.Nasceu em Barcelona, em 1923, numa família burguesa e o seu pai queria que ele fosse advogado. Ainda estudou direito, mas abandonou o curso para se dedicar à arte em que era autodidacta.Alugou o seu primeiro atelier, em 1946, na cidade de Barcelona. Começou a estudar a arte moderna através de livros e revistas catalães do início dos anos 30.




Quando tinha 18 anos, por causa de uma lesão pulmonar, teve de passar dois anos na cama e dedicou-se a copiar obras de pintores que admirava, como Van Gogh e Picasso. Foi graças ao seu médico da altura, que, anos mais tarde, conheceu em Paris, o pintor de Guernica. Conseguiu uma bolsa para estudar nesta cidade e é lá que, em 1956, realiza a primeira exposição individual. O coleccionador de arte e galerista Joan Prats iniciou-o na literatura surrealista de André Breton (Tàpias funda, em 1948, o grupo Dau al Set, que abandona em 1951) e apresentou-lhe o pintor Miró, que foi seu amigo até morrer.Em 1960, Tàpies participou numa mostra da nova pintura e escultura espanhola no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque e esteve representado na exposição “Before Picasso, After Miró”, do Museu Guggenheim da mesma cidade.



Como artista integrava-se na tradição cultural da Catalunha, com uma dimensão política simultaneamente autonómica e contra o franquismo (foi preso em 1966). “Tem uma forte influência da liberdade poética do surrealismo, mas há nele, uma orientação muito original para outras sensibilidades, nomeadamente as orientais ligadas ao budismo”, diz o historiador de arte João Pinharanda. “Na sua pintura, o gesto liberta-se quer da forma naturalista, quer da escrita verbal. Cada conjunto de gestos transforma-se num signo. Às vezes, imprime a sua mão na tela como se estivesse a repetir um gesto primordial.”Em 1954, a sua obra passou a ser mais expressiva e deu origem àquilo que se designa por pintura matérica. “Ao mesmo tempo que o gesto se autonomiza, a matéria com que pinta toma conta da superfície pintada. Ganha volume, quase que se transforma em matéria escultórica. Isso também coincide com a utilização que faz de matérias que são estranhas à pintura tradicional”, lembra João Pinharanda. Antoni Tàpies utilizava nos seus quadros: cimentos, areias, látex, pó de mármore, etc. E incorpora na sua pintura, materiais de lixo urbano. “Como se estivesse a recuperar do lixo coisas que voltava a erguer como grande Arte. É uma arte feita com materiais pobres.



Tàpies enquadra-se nessa poderosíssima genealogia da grande pintura espanhola. Tem toda a tradição atrás dele”, conclui Pinharanda. Em 1990 recebeu o Prémio Príncipe das Astúrias e abriu as portas da sua Fundação, em Barcelona, onde expunha a sua obra. Esteve representado na Bienal de Veneza e na Tate Gallery em Londres. A Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e a Fundação de Serralves, no Porto, fizeram retrospectivas da sua obra e, em 2010, houve exposições suas em Évora e na Régua.