terça-feira, 6 de abril de 2010

Do Espírito da Paisagem,Ao Rasto do Homem.




Foi com prazer que acedi ao convite da pintora Carolina Quirino para comissário da sua próxima exposição. Eis o meu texto, e a resposta da pintora.

Do Espírito da Paisagem, ao Rasto do Homem.
Percorrer o trabalho da pintora Carolina Quirino, é percorrer o espírito das coisas onde o corpo habita a paisagem numa inquietação sempre constante.
As suas silhuetas são marcas de um mundo habitado, um mundo de futuro incerto, que emerge acompanhado de esperança e de dúvida em fundo vermelho.
O seu ritmo e ânsia viver aparecem sem se fazer anunciar, e com eles ao percorrer o ciclo do dia, aparece a noite. A noite azul escura de penumbra que nos remete para uma clandestinidade transversal à historia do homem, e à contagem do tempo.
Olhar o discurso pictórico de Carolina Quirino, é olhar as marcas da inquietação sempre de olhos postos num futuro mítico, com a marca do rasto humano sempre presente.
Agostinho da Silva dizia que a melhor maneira de não enjoar na navegação, é a de contemplar o horizonte. É este o horizonte onde a pintora nos dá a chave da relatividade das coisas, onde uma galáxia pode ser tão importante como um grão de areia.
Um pingo pode escorrer pela tela como se de um rio se tratasse, um pingo pode valer uma montanha, uma pegada pode valer uma historia, é esse o verdadeiro segredo da sua pintura .

João Silva
Musico, Pintor, Formador e Aprendiz

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Descreves as intenções com que faço a minha pintura e como me posiciono no mundo exactamente do modo como sinto, revelei-me em cada palavra. E um muito obrigada pela tua crítica tão positiva e o modo como exprimes o que a minha pintura te dá a ver, é uma honra!
E, claro, a nossa referência de sempre (A. Silva) tem que estar presente.:)
Um obrigado muito sincero de uma amiga pintora e muitíssimo mais aprendiz. Cada dia é um dia de ensino e estou muito aquém de atingir os teus conhecimentos mas também é isso que faz da vida algo de tão especial - aprender, evoluir, melhorar e estarmos receptivos a receber tudo o que os que nos envolvem têm para ensinar, pelo menos é assim que penso.


Carolina

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